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Lula diz que Brasil não precisa de acordo com FMI
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou em Nova York que o Brasil não precisa necessariamente fazer um acordo com o Fundo Monetário Internacional (FMI). "Não precisamos renovar o acordo. Só o faremos se nele houver alguma vantagem para o Brasil. Estamos tranqüilos para dizer ao FMI que não faremos nenhum acordo", disse Lula nesta quarta-feira. Segundo o presidente, o país se encontra em uma posição confortável o suficiente para decidir a hora certa de se realizar um acordo. Lula disse ainda que a taxa de juros não será reduzida de forma abrupta, mas vai continuar caindo e impulsionando o crescimento econômico. "Não podemos ficar nervosos", afirmou. Conversando com jornalistas durante a Assembléia Geral da ONU (Organização das Nações Unidas), Lula falou sobre o seu encontro, na terça-feira, com o presidente dos Estados Unidos George W. Bush. Bom relacionamento, mas divergências Questionado sobre o atual relacionamento entre o Brasil e os Estados Unidos, o presidente respondeu: "Nós temos tido até uma relação melhor do que eu imaginava no começo do ano. Estive com Bush em três oportunidades. Eu respeito a posição americana, eles respeitam a nossa". Lula, no entanto, admitiu que ele e Bush têm diferenças em suas visões de mundo. O presidente contou que, durante um almoço com Bush (oferecido pelo secretário-geral da ONU aos chefes de Estado, na terça-feira), eles conversaram sobre a recente reunião da OMC (Organização Mundial do Comércio), realizada em Cancún, no México. Lula contou ter se queixado a Bush sobre as declarações dadas pelo representante americano do Comércio, Robert Zoellick, sobre a "dureza" da posição brasileira em Cancún. "Eu disse a Bush que o que o Brasil fez em Cancún foi colocar na pauta do G-21 (grupo de países em desenvolvimento) 70% das questões que os Estados Unidos queriam que discutissemos há dois meses. Portanto, quem mudou de posição não foi o Brasil, foi o representante do governo americano", disse Lula. O presidente relatou trechos de sua conversa com Bush. "Eu disse: Olha, estou sabendo de um artigo do Zoellick na imprensa americana criticando os países do G-21, alegando que eles não quiseram negociar. A verdade não é essa", explicou Lula. "Bush, então, me disse que precisávamos continuar conversando e ter paciência. Eu falei a ele que estamos dispostos a tal", resumiu o presidente. "Aprendi na minha vida de movimento sindical que ninguém respeita ninguém que age com submissão. Os Estados Unidos são duros na defesa de seus interesses, e nós temos que ser duros na defesa dos nossos. Acredito na construção do caminho do meio. O bom acordo não é 100 nem zero, não sou de ficar chorando. Temos orgulho próprio", disse Lula. O presidente afirmou que em nível de questão comercial nunca se deve esperar facilidade. Segundo ele, o Brasil precisa lutar para conquistar o seu espaço no mundo, principalmente ao lado de outros países em desenvolvimento, criando uma força política capaz de torná-lo igual ao países desenvolvidos. "Quanto mais unidos estivermos, mais chances teremos de conquistar nossos objetivos". ONU Sobre a assembléia da ONU em si, Lula preferiu não comentar o discurso de Bush, realizado na terça-feira. Ao ser questionado se o seu discurso havia sido duro demais em relação aos Estados Unidos, ele repondeu que "foi um discurso de quem acredita na força do diálogo". "Em um outro encontro já havia dito a Bush que a nossa guerra é diferente da dele, é contra a fome". O presidente afirmou que sentiu um otimismo em relação ao futuro da ONU. Para ele, as reformas podem funcionar. Lula, no entanto, frisou que o Brasil não tem nenhum interesse imediato de conseguir um assento no Conselho de Segurança. Mercosul Nesta quarta-feira, o presidente se encontrou com seu colega argentino Néstor Kirchnner. Na opinião de Lula, o diálogo foi o "melhor possível". "Temos demonstrado que a Argentina é tão importante para o Brasil quanto o Brasil o é para a Argentina. O sucesso da Argentina é o sucesso do Brasil porque os dois têm uma reponsabilidade na construção do Mercosul e do multilaterarismo". Lula afirmou não ter conversado com Kirchner sobre uma eventual candidatura do Brasil a um assento permanente no Conselho de Segurança da ONU. "Nós teremos um encontro em Buenos Aires no próximio dia 16 quando deveremos conversar sobre este tipo de assunto". Lula ainda descartou qualquer divergência com o colega argentino. "Nada criará qualquer problema entre mim e Kirchnner", disse Lula. |
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