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Atualizado às: 24 de setembro, 2003 - 02h12 GMT (23h12 Brasília)
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Reunião da ONU evidencia distância entre França e EUA
O presidente americano, George W. Bush
O discurso do presidente Bush não teria empolgado a audiência

Os discursos dos presidentes dos Estados Unidos, George W. Bush, e do seu colega francês, Jacques Chirac, na Assembléia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU), na terça-feira, expuseram claramente as diferenças entre eles em relação ao Iraque.

Em seu discurso, Bush voltou a defender a guerra, disse que o mundo estava melhor sem Saddam Hussein e fez um apelo a todos os países para ajudarem na reconstrução do Iraque.

Por outro lado, o presidente da França, Jacques Chirac, criticou os americanos por terem se lançado à guerra sem a autorização da ONU e pediu uma "participação integral" da ONU no Iraque.

"A guerra, lançada sem a autorização do Conselho de Segurança, abalou o sistema multilateral", disse Chirac logo no início do seu discurso.

"Ninguém deveria se dar o direito de usar a força unilateralmente e preventivamente. Ninguém pode agir sozinho", continou o francês.

Transferência

A França – que já havia tomado a frente da oposição internacional à guerra antes do seu início – quer apressar o processo de transferência de poder para os iraquianos, mas os americanos não aceitam essa idéia.

Em seu discurso, Bush disse que o Iraque estava hoje em dia "porque uma coalizão de países agiu para defender a paz, e a credibilidade das Nações Unidas".

O presidente americano disse ainda que a hora chegou de a ONU deixar as divisões sobre a guerra de lado e "seguir adiante" com a estabilização e a reconstrução do país.

"Agora, o país do Iraque precisa e merece a nossa ajuda, e todas os países de boa vontade devem se apresentar e oferecer esse apoio."

No entanto, o secretário-geral da ONU, Kofi Annan – em seu discurso na assembléia –, implicitamente criticou os Estados Unidos por terem adotado uma ação preventiva e unilateral, e também conclamou a organização a ter um "papel integral" na reconstrução do Iraque.

"Os últimos 12 meses foram muito dolorosos para aqueles de nós que acreditam em respostas coletivas aos nossos problemas e desafios comuns", disse Annan.

Bush concordou que a ONU "pode contribuir enormemente para a causa do governo autônomo no Iraque", embora tenha dito não ver a necessidade de um papel maior da ONU no país.

"Como no pós-guerra de outros conflitos, as Nações Unidas devem assistir no desenvolvimento de uma constituição, no treinamento de funcionários públicos e na realização de eleições livres e justas", disse Bush.

De acordo com o correspondente da BBC em Nova York, Rob Watson, as palavras do presidente americano provocaram poucos aplausos.

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