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Morte de Hakim acentua divergências entre xiitas no Iraque
O assassinato do aiatolá Mohammed Baqr Al-Hakim só fez aumentar a urgência em responder à pergunta que surgiu quando o regime de Saddam Hussein se desintegrou em abril: Quem fala em nome dos xiitas do Iraque? Os xiitas são cerca de 60% da população iraquiana e estão convencidos de que há muito tempo têm negada uma parcela justa do poder no país. Os xiitas são um elemento no país que não pode ser ignorado. Eles precisam ser representados de maneira justa no novo Iraque. Mas como? Os xiitas estão divididos em seculares e religiosos, e seu clero está dividido entre ativista e moderado. Disputa de influência Essas duas tendências competem por influência dentro da Hawza, ou seminário, na cidade sagrada de Najaf, no reduto xiita do sul do Iraque. A Hawza é a principal fonte de autoridade sobre os xiitas iraquianos. A figura mais poderosa da Hawza, o aiatolá Ali Sistani, segue a tendência moderada. Em outras palavras, ele crê que o clero deveria oferecer liderança espiritual, mas, na medida do possível, passar longe da política. Contudo, mesmo ele sentiu necessidade de dizer alguma coisa sobre a questão central do dia – trabalhar com a administração americana do Iraque ou boicotá-la. A mensagem do aiatolá Sistani aos xiitas iraquianos é: "Nós deveríamos cooperar com os americanos e esperar para ver se eles vão cumprir o que prometeram e entregar o poder ao povo do Iraque". Essa é a visão da maioria dos integrantes do alto clero, e também é a visão do aiatolá Mohammed Baqr Al-Hakim, o líder religioso e político morto no atentado a bomba da sexta-feira. O desafio radical Mas essa é uma visão que começou a ser muito atacada por facções mais militantes lideradas por Muqtada Al-Sadr, um jovem radical xiita. Filho de um aiatolá popular – morto, a maioria dos xiitas acredita, por agentes do regime de Saddam Hussein – Muqtada Al-Sadr pede aos xiitas que se oponham à ocupação. Ele dá a entender que há necessidade de uma resistência e, em seus discursos, chega perto de incitar abertamente à violência. O grupo de Sadr foi responsabilizado por atos de violência anteriores. Em abril, um clérigo proeminente, Abdel-Majid Al-Khoei, que voltou do exílio na Grã-Bretanha, foi morto por uma multidão enfurecida em Najaf. No final de agosto, houve uma tentativa mal-sucedida de assassinar o tio do aiatolá Hakim, também um clérigo destacado. Muqtada Al-Sadr negou com veemência envolvimento nesses ataques ou na morte do aiatolá Hakim. Mas não há dúvida de que suas críticas severas a clérigos importantes, que ele disse serem passivos diante da ocupação estrangeira, contribuíram para o clima de tensão e ansiedade dentro da comunidade xiita. Vácuo de liderança A morte do aiatolá Hakim intensificou a crise de liderança enfrentada pelos xiitas iraquianos. Ela enfraqueceu seu movimento, o Conselho Supremo para a Revolução Islâmica no Iraque. Hakim fundou o movimento no Irã, depois de fugir da perseguição de Saddam, e liderou-o de Teerã durante mais de 20 anos antes de voltar para o Iraque, no começo do ano. O irmão mais novo de Hakim, Abd-Al-Aziz, é um dos 25 iraquianos escolhidos pelos americanos em julho para formar o Conselho de Governo iraquiano, um órgão provisório criado para abrir caminho para um governo eleito. Mas Abd-Al-Aziz não tem a autoridade de seu irmão. A maioria dos iraquianos acredita que o aiatolá Hakim foi morto por muçulmanos sunitas leais ao antigo regime de Saddam, ou por militantes sunitas que vieram do exterior. Líderes religiosos advertem quanto aos perigos do sectarismo. Quem quer que tenha realizado o atentado a bomba da semana passada, pode ter tido a intenção de semear medo e divisão na comunidade xiita, e provocar tensão entre a maioria xiita do país e a minoria sunita. A necessidade de liderança não podia ser maior. |
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