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Perfil: Quem era o Aiatolá Hakim
O aiatolá Mohammad Baqr Al-Hakim era uma das personalidades mais conhecidas entre os muçulmanos xiitas. Hakim presidia a Assembléia Suprema para a Revolução Islâmica no Iraque, um dos principais grupos muçulmanos xiitas em busca de poder no Iraque pós-guerra. O grupo, até recentemente, funcionava a partir do Irã e contava muito com o apoio do clero conservador no governo iraniano, que financiou a organização por 20 anos. O aiatolá Hakim, de 63 anos, foi preso e torturado como líder da oposição no Iraque na década de 70, até que fugiu para o Irã, em 1980. Na época, o aiatolá Ruhollah Khomeini estava criando um Estado islâmico xiita. O aiatolá Hakim passou mais de duas décadas no exílio. No Irã, ele não apenas liderava a Assembléia Suprema, como também controlava o braço armado do grupo, a brigada Badr, que contava com um contingente de 10 mil a 15 mil combatentes. A milícia empreendeu uma guerra de emboscadas, sabotagem e assassinatos contra o regime de Saddam Hussein. Hakim voltou ao Iraque em triunfo, em maio, pouco depois que os Estados Unidos anunciaram o fim oficial das hostilidades no país. Milhares de muçulmanos xiitas saudaram sua volta à sua cidade natal, Najaf, no sul do Iraque, que também é tida como o local mais sagrado no Iraque pelos xiitas. Esperança xiita Muitos xiitas acreditavam que Hakim daria a eles a chance de ter um espaço político negado durante os anos de regime de Saddam. Mas outros, temerosos de um regime com base religiosa no estilo iraniano, não viam com bons olhos as ligações de Hakim com o Irã. Apesar dessas ligações, a Assembléia Suprema para a Revolução Islâmica no Iraque disse que não buscava seguir o caminho iraniano. O próprio aiatolá defendia um Estado islâmico moderno que rejeitasse o extremismo religioso e fosse independente de poderes estrangeiros no Iraque. Hakim também era favorável à realização de eleições livres no país. Na volta ao Iraque, ele tentou acalmar temores sobre suas ligações com as brigadas Badr, destacando que não procurava moldar o Iraque no Irã. "Nós não queremos um Islã extremista", disse ele a seus partidários. O aiatolá disse que buscava "um Islã de independência, justiça e liberdade". Há muito tempo o governo dos Estados Unidos estava preocupado com o aiatolá Hakim. A Assembléia Suprema boicotou o primeiro encontro entre as facções iraquianas organizado pelos Estados Unidos no dia 15 de abril. Quando Hakim retornou a Najaf, havia temores de que partidários do regime de Saddam Hussein ou gangues armadas que perambulam pelas ruas tentariam matá-lo. Ataques contra o regime Cinco dos irmãos do aiatolá Hakim e mais de uma dúzia de outros parentes forma mortos durante três décadas de luta contra o partido Baath, de Saddam Hussein. Em 1991, depois da primeira Guerra do Golfo, o presidente George Bush (pai do atual presidente americano) encorajou os iraquianos a se rebelarem contra seu líder. A oposição, inclusive os curdos do norte, acreditava que contaria com o apoio dos Estados Unidos para o levante. As brigadas Badr cruzaram a fronteira para redutos xiitas no sul do Iraque, inclusive para Najaf. Sem o apoio americano, o levante foi brutalmente esmagado. A repercussão da morte de Hakim foi enorme entre seus seguidores e ainda é difícil de prever quais serão as conseqüências para o futuro de seu país. |
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