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Multidão marcha em procissão por aiatolá assassinado
Dezenas de milhares de iraquianos participaram de uma procissão nas ruas de Bagdá neste domingo, o primeiro dos três dias de luto pela morte do líder xiita aiatolá Mohammad Baqr Al-Hakim, um dos quase cem mortos na explosão de um carro-bomba na cidade de Najaf, na sexta-feira. O caixão com o corpo do aiatolá Hakim, acompanhado pela multidão, saiu sobre um caminhão coberto de bandeiras e protegido por homens armados de uma mesquita xiita nas margens do rio Tigre. O ministro de Relações Exteriores do Afeganistão, Abdullah Abdullah, que está em Portugal para uma conferência sobre a colaboração internacional no combate ao terrorismo, classificou o atentado como um "imperdoável ato de terror perpetrado pelos inimigos da humanidade" e elogiou o aiatolá assassinado. "Ele lutou pela dignidade e os direitos do seu povo", disse. De acordo com a correspondente da BBC em Bagdá, Valerie Jones, muitos muçulmanos prometem vingança, apesar da campanha para evitar a violência entre muçulmanos, e consideram o aiatolá um mártir. Antiamericanos De Bagdá, a procissão partiu em direção à "cidade sagrada" de Karbala, a 80 quilômetros de Bagdá, e deve terminar em Najaf – onde o corpo do aiatolá Hakim será enterrado – na terça-feira. No sábado, várias homenagens póstumas foram realizadas em Najaf para as vítimas da explosão, que deixou mais de 200 feridos. Muitos iraquianos, incluindo o líder xiita aiatolá Ali Sistani, aproveitaram a vigília para protestar contra as forças americanas, acusando-as de não garantir a segurança interna do país. No sábado, a polícia iraquiana prendeu quatro suspeitos do atentado. Segundo os policiais, dois homens seriam ex-funcionários do governo de Saddam Hussein e os outros dois, árabes não-iraquianos. Os investigadores estudam ainda possíveis conexões entre o atentado em Najaf e a bomba que explodiu junto ao prédio da ONU em Bagdá, matando mais 23 pessoas, entre elas o representante das Nações Unidas no país, o brasileiro Sérgio Vieira de Mello. De acordo com um policial entrevistado pela agência de notícias Associated Press, os homens teriam conexões com a rede Al-Qaeda, liderada por Osama Bin Laden, e têm o objetivo de "manter o Iraque em um estado de caos". Prisão Os suspeitos foram presos enquanto uma multidão indignada se concentrava, nas imediações da mesquita da "cidade sagrada" onde o carro-bomba explodiu, para acompanhar o enterro das vítimas. Um representante dos xiitas disse a um canal de TV libanês que o número de mortos atingiu 126. A comunidade internacional censurou duramente o atentado. Nenhum grupo se responsabilizou ainda pela explosão do carro-bomba, considerado um dos piores atentados no Oriente Médio nos últimos 20 anos. O secretário-geral da ONU (Organização das Nações Unidas), Kofi Annan, pediu calma aos iraquianos logo depois do ataque, e o presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, disse que o seu país vai perseguir os responsáveis. O governo do Irã, que deu asilo ao aiatolá Hakim nos últimos 20 anos, também criticou o ataque, mas culpou – em última instância – as forças de ocupação lideradas pelos americanos por não terem sido capazes de manter a segurança no Iraque. |
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