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Atualizado às: 30 de agosto, 2003 - 10h22 GMT (07h22 Brasília)
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Multidão indignada acompanha enterro de vítimas no Iraque
Xiita protesta contra atentado
Alguns dos simpatizantes do aiatolá Hakim pediram vingança

Uma multidão indignada está concentrada nas proximidades da mesquita da "cidade sagrada" de Najaf, no Iraque, onde um carro-bomba explodiu na sexta-feira, matando 87 pessoas e deixando 200 feridas, para acompanhar o enterro das vítimas.

Os xiitas reunidos no local da explosão entoam palavras de ordem contra Saddam Hussein e contra os americanos.

"Eles estão culpando os simpatizantes de Saddam Hussein pelo ataque, mas também estão começando a acusar cada vez mais veementemente os americanos pela falta de segurança", afirma a correspondente da BBC no local, Valerie Jones.

As autoridades iraquianas confirmaram que o número de mortos no atentado, entre eles um dos principais líderes xiitas o aiatolá Mohammed Baqr al-Hakim, totalizou 87 pessoas.

"Ao todo, acreditamos que mais de 200 tenham ficado feridos", afirmou Isa Muhammad al-Wailee, médico legista de Najaf.

TV do Líbano

Um representante dos xiitas disse a um canal de TV libanês que o número de mortos atingiu 126.

A comunidade internacional criticou duramente o atentado.

Nenhum grupo se responsabilizou ainda pela explosão do carro-bomba, considerado um dos piores atentados no Oriente Médio nos últimos 20 anos.

O secretário-geral da ONU (Organização das Nações Unidas), Kofi Annan, pediu calma aos iraquianos logo depois do ataque, enquanto o presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, disse que o seu país iria perseguir os responsáveis.

O governo do Irã, que deu asilo ao aiatolá Hakim nos últimos 20 anos, também criticou o ataque, mas culpou – em última instância – as forças de ocupação lideradas pelos americanos por não terem sido capazes de manter a segurança no Iraque.

As suspeitas dos xiitas sobre a autoria do atentado recaem sobre simpatizantes do presidente iraquiano deposto, Saddam Hussein, que teriam detonado a bomba para desestabilizar a situação política do país.

Essa foi o terceiro explosivo de alta destruição a explodir em Bagdá neste mês, pouco mais de uma semana depois de outro atentado destruir parte do prédio da ONU na cidade, matando o representante especial da organização no país, Sérgio Vieira de Mello, e outras 22 pessoas.

Suspeitas

O porta-voz de Kofi Annan condenou o ataque "da forma mais veemente possível".

"Nos próximos difíceis dias, o secretário-geral faz um apelo a todos os grupos políticos e religiosos no Iraque para que sejam evitados novos atos de violência e vingança."

O presidente Bush classificou o atentado como "um sangrento ato de terrorismo que tinha o aiatolá Hakim como alvo, em um dos locais mais sagrados do islamismo xiita, e contra as esperanças de liberdade, paz e reconciliação do povo iraquiano".

O administrador americano do Iraque, Paul Bremer, também condenou o ataque, dizendo que "os inimigos do novo Iraque não se detêm diante de nada".

O Irã e o Conselho de Governo do Iraque, nomeado pelos Estados Unidos, declararam luto oficial de três dias pelo aiatolá Hakim.

A Rússia pediu uma participação maior da ONU no Iraque para conter a crescente onda de violência.

A bomba explodiu na mesquita pouco depois de Hakim concluir um sermão defendendo a união dos iraquianos.

O aiatolá al-Hakim
Al-Hakim tinha ligações com o líder iraniano

Jornalistas no país afirmam haver uma disputa de poder interna entre os clérigos conhecidos como Hawza – a cúpula religiosa xiita de Najaf.

A explosão foi tão violenta que abriu uma cratera de 1,5 metro de profundidade no chão e destruiu pelo menos dois prédios do outro lado da rua.

Al-Hakim dirigia a Assembléia Suprema para a Revolução Islâmica no Iraque. Ele havia recentemente deixado o exílio no Irã e retornado a Najaf.

O atentado aconteceu na saída do Túmulo de Ali, um dos locais religiosos mais sagrados para os muçulmanos xiitas. A explosão ocorreu num momento de grande movimento de pessoas, após as tradicionais rezas da hora do almoço na sexta-feira.

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