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Atualizado às: 29 de agosto, 2003 - 15h38 GMT (12h38 Brasília)
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Mais de 80 pessoas podem ter morrido em atentado no Iraque
O local do Túmulo de Ali, em Najaf, sagrado para os xiitas
Carro-bomba explodiu em frente ao Túmulo de Ali, em Najaf

A explosão de um carro-bomba perto de uma mesquita na cidade xiita de Najaf, região central do Iraque, matou mais de 80 pessoas, de acordo com o relato de um médico iraquiano ao repórter da BBC no Iraque.

Um dos mais importantes líderes xiitas do país, o aiatolá Mohammad Baqer al-Hakim, que havia concluído um sermão defendo a união dos iraquianos minutos antes, também morreu no ataque. Há relatos de que 200 pessoas ficaram feridas.

Al-Hakim dirigia a Assembléia Suprema para a Revolução Islâmica no Iraque. Ele havia recentemente deixado o exílio no Irã e retornado a Najaf.

A explosão ocorreu num momento de grande movimento de pessoas, após as tradicionais rezas da hora do almoço na sexta-feira.

O atentado aconteceu na saída do Túmulo de Ali, um dos locais religiosos mais sagrados para os muçulmanos xiitas.

Até o momento, nenhum grupo admitiu a autoria do atentado.

Soterrados

A correspondente da BBC em Bagdá, Valerie Jones, disse que parte da entrada da mesquita desabou sobre a multidão. Muitas pessoas estariam soterradas sob os escombros.

Jornalistas no país afirmam haver uma disputa de poder interna entre os clérigos conhecidos como Hawza – a cúpula religiosa xiita de Najaf.

Líderes muçulmanos que defendem a cooperação com as tropas dos Estados Unidos se opõem aos que pregam a resistência armada contra os americanos.

O administrador dos Estados Unidos no Iraque, Paul Bremer, afirmou que o novo ataque é prova de que nada detém os inimigos do novo Iraque, capazes de matar pessoas inocentes e destruir um lugar sagrado do Islã.

No domingo, três pessoas morreram na cidade numa tentativa de assassinato de um líder religioso.

O grão-aiatolá Seyed Mohammed Said al-Hakim sofreu apenas escoriações na explosão em seu escritório, mas dois de seus guarda-costas e um motorista morreram.

Outros xiitas iraquianos disseram que agentes do antigo regime de Saddam Hussein seriam os responsáveis pela ação contra Al-Hakim.

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