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Atualizado às: 28 de agosto, 2003 - 09h32 GMT (06h32 Brasília)
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Brasileiros se destacam na reconstrução agrícola do Iraque

Soldados americanos no Iraque
Americanos têm dificuldades para estabelecer segurança

As Nações Unidas e outras agências humanitárias resolveram retirar do Iraque a maioria do seu contingente estrangeiro após o atentado da semana passada à sede da ONU, que matou 20 pessoas, entre elas o enviado especial das Nações Unidas ao país, o brasileiro Sérgio Vieira de Mello.

Mas o clima de tensão e o temor em relação à segurança não foram suficientes para fazer com que os pesquisadores brasileiros José Toledo, de 51 anos, e Carlos Riede, de 54, deixassem os seus postos e saíssem do país.

Os dois têm a missão, junto com outros técnicos internacionais, de mudar a agricultura iraquiana.

Estagnado pelas sucessivas guerras e pelo regime de Saddan Hussein, o setor agrícola iraquiano vem se deteriorando nas últimas décadas, deixando o país pelo menos 30 anos atrás do que está acontecendo no setor da agricultura em países como o Brasil, por exemplo.

"Eles ainda utilizavam variedades de sementes lançadas nos anos 70. As guerras foram bloqueando o intercâmbio com outros países. Com isso, os iraquianos ficaram parados na base genética. Qualquer atividade, no momento, está contribuindo para se criar uma agricultura mais forte", diz Carlos Riede.

Perfil

José Toledo é o coordenador do Fundo das Nações Unidas para a Agricultura (FAO), trabalhando em um plano que será implementado na agricultura iraquiana nos próximos cinco anos.

Toledo, que é funcionário da Embrapa-Londrina, está pela segunda vez no Iraque e, no momento, coordena uma pesquisa que vai traçar o perfil do setor agrícola do país.

"Nós colocamos técnicos do Banco Mundial, de programas de desenvolvimento da ONU, entre outros, junto às autoridades iraquianas para definirmos onde queremos chegar. Para isso, 250 pessoas vão visitar durante 15 dias mais de 10 mil vilas iraquianas, fazendo um levantamento das diferentes necessidades de cada região", diz Toledo.

Os dois pesquisadores brasileiros são especialistas em desenvolvimentos de sementes como soja, centeio, trigo, girassol, entre outras.

Carlos Riede, que é do Instituto Agronômico do Paraná, está no momento no norte do Iraque, no estado de Arbil (região de população curda) trabalhando com os cultivos de inverno (trigo, cevada e centeio) e fazendo experiências relacionadas ao desenvolvimento de sementes e culturas mais apropriadas ao solo iraquiano.

"A FAO trouxe para cá materiais genéticos de melhor qualidade e mais modernos do que os que estavam disponíveis. A chegada de novos pesticidas, equipamentos, e a distribuição de sementes estão ajudando a alavancar a produção no norte", explica.

"A região é bastante promissora e está em uma situação bem diferente do resto do país. Aqui, a FAO trabalha com uma ação de desenvolvimento da agricultura e também realizando pesquisas. Aqui no norte, por sorte, estamos conseguindo trabalhar normalmente", diz Riede que está no Iraque há 1 ano e 2 meses.

Presença

As organizações brasileiras que atuam na área de agricultura estão marcando presença no Iraque desde 2001, quando Toledo e outros técnicos da Embrapa-Londrina começaram a desenvolver a produção de óleo de girassol, entre os chamados cultivos de verão, após um convite da FAO.

Depois, foi a vez do Iapar. A organização se candidatou e ganhou o direito de desenvolver os projetos de cultura de inverno.

"Já trabalhamos há 25 anos no cruzamento de espécieis, desenvolvendo novas variedades de sementes. Tanto o Iapar como a Embrapa têm uma grande atuação em importantes culturas agrícolas do estado do Paraná", explicou Riede.

E as técnicas paranaenses estão servindo como uma ponte para tentar diminuir o abismo que existe no Iraque. Mesmo com a ajuda de entidades internacionais, os agricultores iraquianos vão ter de seguir com as próprias pernas em um futuro próximo para garantir o abastecimento do país.

"O Iraque tinha uma agricultura desenvolvida antes da Guerra do Golfo. Houve uma deteriorização progressiva nos últimos dez, 12 anos. Com esta última guerra, a situação ficou ainda mais precária, principalmente devido à destruição de instalações importantes para o setor, como fábricas de fertilizantes e sistemas de abastecimento de água. Sem contar com o vandalismo. Muitas fábricas e terras foram abandonadas e acabaram sendo vandalizadas", diz Toledo.

Por isso, a pesquisa que será realizada é tida por Toledo como peça fundamental para a conclusão do projeto agrícola iraquiano para os próximos cinco anos.

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