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Atualizado às: 28 de agosto, 2003 - 09h27 GMT (06h27 Brasília)
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Brasileiros decidem ficar no Iraque apesar de clima tenso

Sede da ONU em Bagdá após atentado
Atentado contra ONU ampliou medo no Iraque

O atentado da semana passada à sede da ONU em Bagdá aumentou o clima de tensão no Iraque, atingindo em cheio os estrangeiros que estão trabalhando no país.

Mesmo estando no norte do Iraque, região dos curdos e que foi menos afetada pelos ataques americanos, Carlos Riede diz que não dá para fugir do clima de insegurança, principalmente após o atentado da semana passada.

"Todo mundo está receoso. Todo mundo ficou com medo. Um ataque desses nunca aconteceu antes. Quando converso com meus colegas vejo que estão preocupados", conta.

"Mesmo aqui no norte temos um sistema rígido de segurança que aumentou depois do atentado. Temos sempre que dizer onde vamos, e à noite tem um controle via rádio para saber como estamos, se estamos seguros. Todo mundo está inseguro após um acontecimento tão anormal como esse, e sempre fica aquela dúvida por trás. Acho que a situação está caótica com isso tudo", completa.

Riede divide a implementação do projeto de cultivo de inverno com um especialista indiano. Os dois atuam em três estados do norte do país, reunindo cerca de 40 profissionais.

Para garantir a segurança e um pouco de contato entre eles, a FAO construiu um restaurante onde podem fazer as refeições juntos. Riede vive em uma casa em uma área residencial de Arbil.

"Minha casa tem muros altos e uma certa segurança. Não sobra muito tempo para fazer mais do que trabalhar. Às vezes, assistimos a um video e até já fizemos um churrasco", completa o pesquisador, enumerando o pouco que conseguem fazer fora da jornada de trabalho.

Bagdá

Enquanto o trabalho de Riede segue dentro da normalidade possível no norte do Iraque, não se pode dizer o mesmo para José Toledo. Após o atentado à sede da ONU, sua equipe de 20 técnicos foi reduzida para quatro, contando com ele que optou por não deixar o país.

"Eu vim aqui com um objetivo bastante claro de participar da reconstrução do Iraque, de um trabalho humanitário, e também porque o desafio é fantástico", afirmou.

"Existe pressão, sem sombra de dúvida. Logo após a explosão, decidi que em 48 horas iria tomar uma decisão sobre se ficaria ou não, já que a FAO deu liberdade para optarmos. Mas, como estava na coordenação técnica, resolvi ficar", conta Riede, que está no Iraque contra a vontade de seus familiares.

José Toledo, mesmo estando na capital iraquiana, diz que o volume de trabalho é tão grande (chegando a trabalhar 13 horas por dia) que a questão da segurança fica, muitas vezes, em segundo plano.

"A sede da FAO, felizmente, fica a cerca de 10km do local onde funcionava a sede da ONU. Por isso, no dia do atentado, só fui sentir a dimensão do problema quando cheguei ao hotel, onde estavam hospedadas algumas pessoas que acabaram morrendo ou que ficaram feridas", disse Toledo.

Iraquianos

Mas o clima tenso não se restringe aos estrangeiros que estão trabalhando em organizações de ajuda humanitária. Para Toledo, os iraquianos começam a ficar cansados da situação precária em que estão vivendo.

"O desalento com as forças de coalizão está aumentando. A demora na reconstrução do país está fazendo com que as pessoas sofram muito".

"Hoje, a temperatura está 48 graus C, mas essa semana já chegou a 53. No sul, chega a 60. Quando uma pessoa não consegue água limpa ou eletricidade para ter o mínimo de conforto, ela começa a ficar impaciente", completou Toledo, que fez questão de ressaltar que os iraquianos, de modo geral, são extremamente amáveis.

Para o pesquisador, apesar de todo o clima de incerteza e de indenifição em relação ao futuro, a situação no país está melhorando.

"Já se pode encontrar de tudo à venda na ruas de Bagdá, e a vida começa a voltar ao normal".

Os contratos dos pesquisadores com os projetos no Iraque terminam em novembro, mas os dois têm a mesma opinião sobre o futuro.

"Não podemos decidir, pois não está em nossas mãos, mas gostaria de concluir meu trabalho", completa Carlos Riede.

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