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Venezuelanos temem acordo comercial com o Brasil
Parte dos venezuelanos vê com cautela a possibilidade da assinatura de um acordo de livre comércio com o Brasil. Um trabalho realizado pelo Instituto de Estudos Superiores em Administração venezuelano afirma que um acordo entre os dois países prejudicaria a Venezuela. "As características produtivas de ambos países fazem com que suas economias compitam entre si, em lugar de complementarem-se”, diz Josefina García, uma das autoras do estudo. "A maioria dos produtos que Venezuela poderia oferecer já são produzidos no Brasil." Segundo Josefina, os únicos setores em que a Venezuela teria vantagem em termos de competitividade e produção são os derivados de petróleo, alimentos, bebidas e cigarros, indústrias básicas e algumas de manufatura. Roberto Boll Zuluaga, presidente da Câmara dos Industriais de Caracas, diz que a Venezuela ainda não está preparada para tirar o melhor proveito dos acordos de integração comercial. "Um acordo com o Mercosul é uma realidade, porque está baseado em uma decisão política", assinalou. "Mas, para sair vitorioso nessa parceria, o país tem um trabalho árduo para os próximos anos, que é voltar a ser competitivo.” O diretor da revista Ver-Economia, Robert Bottome, não acredita na possibilidade de um acordo de livre comércio ser assinado entre a Venezuela e o Mercosul. De acordo com ele, Lula respeitará a decisão dos grupos de países andinos de negociar em bloco a entrada no Mercosul. “Ele pode promover a negociação da comunidade andina, mas não vai permitir que a Venezuela entre sozinha no Mercosul”, disse. “Os dois presidentes podem declarar que querem melhorar suas relações comerciais. Mas, não passará disso.” Josefina García lembra que Venezuela e Brasil tentam fechar um acordo bilateral desde 1995. De acordo com ela, isso não foi concretizado ainda porque para os empresários e setores produtivos venezuelanos, um acordo de livre comércio com o Brasil sempre foi visto como mais ameaçador do que positivo, pelas diferenças de tamanho que existem entre as indústrias dos dois países. Apesar da aparente resistência venezuelana, há expectativa de que a visita amplie as relações comerciais entre os dois países. José Francisco Marcondes, presidente da Câmara Venezuelana Brasileira de Comércio e Indústria, disse que é grande a expectativa para a assinatura da linha de crédito do BNDES no valor de US$ 1 bilhão, destinados a investimentos na agricultura e infra-estrutura da Venezuela. “Devemos encerrar o ano com um intercâmbio comercial de US$ 2 bilhões”, afirmou. “Em 2004, esperamos chegar a US$ 3 bilhões.” Os investimentos brasileiros mais importantes na Venezuela estão nas áreas agroindustrial e de infra-estrutura. Entre eles, Marcondes destaca a construção da ponte sobre o rio Orinoco e o terminal açucareiro Ezequiel . |
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