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Atualizado às: 11 de agosto, 2003 - 14h46 GMT (11h46 Brasília)
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Taylor renuncia, mas diz que volta 'se Deus quiser'
O ex-presidente Charles Taylor
Taylor sofreu pressão da comunidade internacional para renunciar

O presidente da Libéria, Charles Taylor, renunciou nesta segunda-feira à Presidência do país e entregou o poder ao vice-presidente Moses Blah.

"Se Deus quiser, eu voltarei", disse Taylor, que só deixou o cargo depois de grande pressão internacional, inclusive do presidente americano, George W. Bush.

Taylor disse no seu discurso de renúncia que aceitou o papel do "cordeiro que se sacrifica", mas afirmou que a história lhe será "favorável".

Ao renunciar, Taylor declarou ainda que esperaa que o povo da Libéria veja o início do renascimento do país. Ele também pediu ajuda da comunidade internacional na reconstrução da economia.

Bênção

Antes do discurso de Taylor, um pastor o abençoou e disse que o presidente "estava fazendo história" ao renunciar pensando no bem de seu povo.

Presidentes de alguns países africanos, presentes na cerimônia, também discursaram.

O presidente de Gana, John Kufuor, disse que a cerimônia marcava "o fim de um era na Libéria".

Ele foi aplaudido quando disse acreditar que a data marcava o fim da guerra.

"O presidente Taylor cumpriu sua palavra e o cumprimentamos por isso", afirmou. "A renúncia e a entrega do poder ao vice é um ato de patriotismo e grande coragem."

Kufuor disse que Moses Blah deve ficar como presidente até outubro, quando deve assumir uma administração interina.

Já o presidente da África do Sul, Thabo Mbeki, anunciou que seu país enviará tropas para as forças de paz que estão no país.

"Quero dar as boas-vindas ao novo presidente Moses Blah, que assume o poder num momento crítico. Quero que saiba que terá nossa ajuda", disse ele.

Destino

Charles Taylor deve seguir para a Nigéria, que ofereceu asilo e proteção contra a ordem internacional de prisão emitida pelo Tribunal Internacional de Serra Leoa.

O ex-presidente da Libéria foi condenado por ter ajudado rebeldes que massacraram milhões de civis no país vizinho.

A ordem foi emitida no começo de junho, quando Charles participava da abertura do processo de paz em Gana.

Só nas últimas semanas, na Libéria, centenas de pessoas morreram na capital Monróvia, vítimas da batalha entre o governo e as forças rebeldes do movimento Liberianos Unidos pela Reconciliação e Democracia (Lurd).

Apesar de o governo ter conseguido controlar a capital, os rebeldes já tinha dois terços do país.

Ataques a reservatórios de água deixaram a população sem água potável.

A única água disponível estava contaminada com a bactéria causadora do cólera.

Milhares de pessoas deixaram suas casas e estavam dormindo ao relento.

Na semana passada, a população celebrou a chegada das primeiras tropas de paz, enviadas pela Nigéria.

A condição imposta para o envio das tropas era a renúncia do presidente, o que poderia iniciar um processo de pacificação do país.

Charles Taylor foi eleito presidente da Libéria em 1997, mas já governava o país desde 1980, quando venceu uma guerra civil contra o então presidente, sargento Samuel Doe, que acabou executado pela Frente Patriótica Nacional, liberada por Taylor.

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