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Taylor diz que renúncia é "estupro da democracia"
O presidente da Libéria, Charles Taylor, descreveu a sua renúncia forçada pela pressão internacional como um "estupro da democracia". Falando na sede de seu partido na capital, Monróvia, Charles Taylor voltou a dizer que vai deixar o cargo, em cumprimento do plano de paz, em nome do interesse do povo liberiano. A expectativa é que Taylor renuncie na segunda-feira mas ele, no entanto, não especificou uma data para a sua partida para o exílio, uma das exigências dos grupos rebeldes para decretar um cessar-fogo na Libéria. Por seu lado, os grupos rebeldes também enfrentam pressão para cumprir as promessas feitas no plano de paz. Ajuda humanitária Representantes americanos e de países africanos pressionaram os rebeldes neste sábado a reabrir o porto de Monróvia para permitir a entrada de alimentos e medicamentos na cidade. A Cruz Vermelha, por exemplo, tem toneladas de suprimentos para serem distribuídos para os liberianos. Mas os rebeldes que participaram das negociações disseram que só seus líderes podem decidir se o porto pode ser reaberto. "Nesse momento, este porto só será tomado à força", afirmou Sekou Fofana, do Lurd (Liberianos Unidos para a Reconciliação e a Democracia), segundo a agência de notícias Reuters. O grupo tem dito que só se retirará do porto quando as forças leais ao governo abandonarem a capital, Monróvia. Guerra e fome Embora os confrontos entre tropas do governo e rebeldes tenham praticamente cessado com a chegada de tropas de paz de países africanos, a população do país - que está em guerra há 14 anos - ainda sofre com a falta de alimentos. Uma das situações mais críticas ocorre nas instalações da Igreja Católica em Buchanan, onde mais de 8 mil pessoas buscaram refúgio e já não há mais água nem comida. Em todo o país, estima-se que os conflitos tenham deixado 1 milhão de pessoas carentes de necessidades básicas, como casa, alimentos e acesso a tratamento médico. "As pessoas foram abandonadas a níveis que raramente se vê na África" afirmou Christoph Harnisch, do Comitê Internacional da Cruz Vermelha para a África. Taylor O presidente Charles Taylor é acusado de crimes de guerra que teria cometido durante o seu envolvimento no conflito em Serra Leoa. Ele se comprometeu a deixar o cargo na segunda-feira, mas ainda não especificou quando vai deixar o país. A Nigéria ofereceu asilo ao presidente. Declarações de aliados de Charles Taylor, no entanto, sugerem que ele não aceitou completamente os termos do acordo. O porta-voz do presidente, Vaani Passawe, disse que a saída de Taylor pode, ao invés de pacificar o país, fazer a situação na Libéria piorar ainda mais. "Quando o presidente for embora, nossos meninos podem ser estigmatizados. Se for este o caso, deve-se esperar o caos. O inferno pode se abrir," disse Passawe. O ministro da Defesa, Daniel Chea, por sua vez, disse que se a saída de Taylor realmente levar ao caos, estará provado que aqueles que o culpam pela violência no país "estão errados". Taylor diz que vai entregar o poder ao vice-presidente Moses Blah, mas o Lurd diz que não aceitará Blah como presidente e continuará lutando. |
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