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Atualizado às: 09 de agosto, 2003 - 21h41 GMT (18h41 Brasília)
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Taylor diz que renúncia é "estupro da democracia"
Faltam materiais médicos para tratar os feridos
Faltam materiais médicos para tratar os feridos

O presidente da Libéria, Charles Taylor, descreveu a sua renúncia forçada pela pressão internacional como um "estupro da democracia".

Falando na sede de seu partido na capital, Monróvia, Charles Taylor voltou a dizer que vai deixar o cargo, em cumprimento do plano de paz, em nome do interesse do povo liberiano.

A expectativa é que Taylor renuncie na segunda-feira mas ele, no entanto, não especificou uma data para a sua partida para o exílio, uma das exigências dos grupos rebeldes para decretar um cessar-fogo na Libéria.

Por seu lado, os grupos rebeldes também enfrentam pressão para cumprir as promessas feitas no plano de paz.

Ajuda humanitária

Representantes americanos e de países africanos pressionaram os rebeldes neste sábado a reabrir o porto de Monróvia para permitir a entrada de alimentos e medicamentos na cidade.

A Cruz Vermelha, por exemplo, tem toneladas de suprimentos para serem distribuídos para os liberianos.

Mas os rebeldes que participaram das negociações disseram que só seus líderes podem decidir se o porto pode ser reaberto.

"Nesse momento, este porto só será tomado à força", afirmou Sekou Fofana, do Lurd (Liberianos Unidos para a Reconciliação e a Democracia), segundo a agência de notícias Reuters.

O grupo tem dito que só se retirará do porto quando as forças leais ao governo abandonarem a capital, Monróvia.

Guerra e fome

Embora os confrontos entre tropas do governo e rebeldes tenham praticamente cessado com a chegada de tropas de paz de países africanos, a população do país - que está em guerra há 14 anos - ainda sofre com a falta de alimentos.

Uma das situações mais críticas ocorre nas instalações da Igreja Católica em Buchanan, onde mais de 8 mil pessoas buscaram refúgio e já não há mais água nem comida.

Em todo o país, estima-se que os conflitos tenham deixado 1 milhão de pessoas carentes de necessidades básicas, como casa, alimentos e acesso a tratamento médico.

"As pessoas foram abandonadas a níveis que raramente se vê na África" afirmou Christoph Harnisch, do Comitê Internacional da Cruz Vermelha para a África.

Taylor

O presidente Charles Taylor é acusado de crimes de guerra que teria cometido durante o seu envolvimento no conflito em Serra Leoa.

Ele se comprometeu a deixar o cargo na segunda-feira, mas ainda não especificou quando vai deixar o país. A Nigéria ofereceu asilo ao presidente.

Declarações de aliados de Charles Taylor, no entanto, sugerem que ele não aceitou completamente os termos do acordo.

O porta-voz do presidente, Vaani Passawe, disse que a saída de Taylor pode, ao invés de pacificar o país, fazer a situação na Libéria piorar ainda mais.

"Quando o presidente for embora, nossos meninos podem ser estigmatizados. Se for este o caso, deve-se esperar o caos. O inferno pode se abrir," disse Passawe.

O ministro da Defesa, Daniel Chea, por sua vez, disse que se a saída de Taylor realmente levar ao caos, estará provado que aqueles que o culpam pela violência no país "estão errados".

Taylor diz que vai entregar o poder ao vice-presidente Moses Blah, mas o Lurd diz que não aceitará Blah como presidente e continuará lutando.

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