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Atualizado às: 08 de agosto, 2003 - 10h35 GMT (07h35 Brasília)
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Prefeito diz que muro está matando a cidade

Para Maa'ruf Zahran, radicais é que vão sair ganhando com o muro
Para Maa'ruf Zahran, radicais é que vão sair ganhando com o muro

Qalqilia é a cidade palestina mais atingida pela "cerca de separação" israelense.

Seu prefeito, Maa'ruf Zahran, diz até que o muro está "matando" a cidade.

Eleito em 1996 com 73% dos votos, ele afirma que pode fazer pouco pelos 45 mil habitantes.

Somente 20 deles têm a permissão do governo israelense para passar pelos pontos de checagem militares.

Leia a seguir os principais trechos da entrevista que o prefeito concedeu à BBC Brasil em seu gabinete:

BBC Brasil – Quais são os efeitos do muro sobre a vida da cidade de Qalqilia?

Zahran – O muro transforma a cidade em uma prisão, a cidade está cercada por um muro de 8 metros de altura, e só sobrou uma abertura de 6 metros de largura para a passagem de pessoas e veículos no lado leste da cidade.

Esta situação afeta a economia da cidade, os serviços da sociedade civil, os sistemas de saúde e de educação. Nós nos sentimos estrangulados por esse muro, que tem efeitos psicológicos nocivos. O principal sintoma dessa tensão é o aumento drástico no número de divórcios. Antes tínhamos um ou dois casos de divórcios por mês, agora já temos 15, 16.

Isso tudo pode vir a beneficiar os extremistas, pois leva as pessoas ao desespero.

BBC Brasil – Como o muro pode vir a beneficiar os extremistas?

Zahran – Com esse muro os israelenses estão plantando as sementes do terrorismo e do ódio, pois as pessoas perdem a pouca esperança que ainda tinham no sucesso do processo de paz.

O muro, o confisco de terras e a impossibilidade de acesso às terras que ficaram por trás do muro tornam real, concreta e definitiva a sensação de falta de horizonte político.

BBC Brasil – Como está a situação econômica na cidade?

Zahran – Está à beira de uma catástrofe. Mais de 80% dos habitantes perderam suas fontes de sustento e vivem às custas da ajuda de organizações internacionais, como a ONU e a Cruz Vermelha. Seiscentas lojas foram fechadas. Somente 20% dos habitantes ainda podem pagar os impostos da prefeitura e as contas de eletricidade e água. A economia da cidade esta completamente paralisada.

BBC Brasil – E como está a situação das fontes de água?

Zahran – Perdemos 19 poços de água que ficaram isolados atrás dos muros e das cercas. Sobre a questão da água vale lembrar que na nossa região temos 55% das reservas subterrâneas de água de toda a Cisjordânia. O distrito de Qalqilia é o mais rico em água e em terras férteis. Na minha opinião esta é a motivação principal para as medidas duras que as autoridades israelenses vêm adotando contra nós, eles querem nos levar a abandonar esta região.

BBC Brasil – Quais foram os efeitos da invasão da cidade em abril de 2002?

Zahran – As tropas israelenses destruíram a infra-estrutura da cidade. Nos primeiros três dias da invasão, eles destruíram o que demorei seis anos para construir, como linhas de eletricidade e água, ruas, geradores elétricos, linhas de esgoto etc.

E não devemos esquecer o alto número de vítimas que tivemos aqui. Sessenta e cinco habitantes de Qalqilia foram mortos desde o inicio da Intifada, e aproximadamente 2 mil ficaram feridos.

BBC Brasil – Como o senhor vê o futuro de Qalqilia?

Zahran – A estratégia do primeiro-ministro Ariel Sharon é de nos levar a abandonar as nossas terras, mas estamos aqui para ficar, apesar de todas as dificuldades. Não temos nenhuma intenção de sair daqui.

Porém este muro e todas as dificuldades que estamos vivendo com certeza vão fortalecer os nossos radicais. Eu sou um político moderado e apoio o processo de paz e uma solução que possibilite a existência de Israel e do Estado Palestino lado a lado. Em 1996 fui eleito com 73% dos votos. Hoje, não acredito que obteria mais de 40%.

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