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Atualizado às: 01 de agosto, 2003 - 12h15 GMT (09h15 Brasília)
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Israel nega cidadania a cônjuge palestino
Religiosos conservadores e grupos de direita estão entre os que apóiam a proibição
Religiosos conservadores e grupos de direita estão entre os que apóiam a proibição

O Parlamento de Israel aprovou uma lei impedindo que palestinos casados com israelenses obtenham a cidadania israelense.

Na prática, a lei obriga israelenses e palestinos que são casados a viver separados ou a sair de Israel.

Israel diz que a proibição é uma medida de segurança, alegando que árabes-israelenses estão participando de atentados no país.

O ministro Gideon Ezra, encarregado das relações entre Executivo e Legislativo, defendeu a lei sob o argumento de que 30 israelenses já foram mortos em ataques realizados por árabes-israelenses.

"O fenômeno (de palestinos obtendo cidadania israelense) saiu do controle", afirmou Ezra.

Os cerca de 1,1 milhão de árabes-israelenses representam um quinto da população de Israel. A maioria é composta de palestinos ou descendentes de palestinos que permaneceram em Israel depois da criação do Estado, em 1948.

Palestinos e grupos de direitos humanos dentro e fora de Israel afirmam que a nova medida é discriminatória e contrária às tentativas de reconstruir a confiança entre os dois lados.

Segundo a organização de direitos humanos israelense B'tselem, apenas 20 dos 100 mil palestinos que obtiveram cidadania israelense nos últimos dez anos estiveram envolvidos em atentados.

Às escondidas

Mesmo antes da proibição, já era difícil para um palestino conseguir a dupla cidadania.

O professor árabe-israelense Said Abu Muaamar contou à agência de notícias Reuters que já está escondendo a sua mulher, que é palestina, em casa desde o ano passado, quando eles se casaram.

O Ministério do Interior, então encarregado de avaliar pedidos de cidadania, não aprovou o pedido de cidadania, mesmo depois de uma série de checagens.

A lei, que foi proposta por partidos de direita, causou divisões no próprio Parlamento israelense. Houve 25 votos contra a lei, que foi aprovada por 53 deputados do Knesset.

O parlamentar árabe-israelense Ahmad Tibi descreveu a lei como "desumana" e a deputada de esquerda Zeeva Galon disse que a restrição nega o direito básico a palestinos e israelenses de iniciarem uma família.

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