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'Política brasileira é a favor de Cuba', diz Amorim

Celso Amorim e sua colega colombiana, Carolina Barco

O ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, disse nesta sexta-feira que não existe qualquer possibilidade de o governo americano considerar a visita do presidente Luiz Inácio Lula da Silva a Cuba como uma provocação.

De acordo com ele, a política brasileira não é contra os Estados Unidos, mas a favor de Cuba e dos cubanos.

“Esse país já passou por muitas dificuldades e continua sofrendo. Muitos de seus problemas foram ocasionados pelo embargo imposto pelos Estados Unidos, há mais de 40 anos”, disse, ao informar que o presidente Lula deve ir para esse país em setembro.

“Há 30 anos esse embargo é unilateral, porque não conta com o apoio de nenhum organismo internacional.”

Cooperação e ajuda

Segundo Amorim, a posição de Lula e do Brasil é que a melhor maneira de lidar com as questões relativas a Cuba é ajudando os cubanos e mantendo uma relação de cooperação, que permita ao governo brasileiro criticar o que considerar errado.

“Não acreditamos que o isolamento seja a melhor maneira de tratar desses temas”, assinalou.

“Ao contrário, o isolamento tende a contribuir ao enrijecimento das estruturas de regimes como esse, que começam a ser muito mais defensivas. Quanto mais você isola e ameaça, esses governos tendem a buscar uma legitimidade na defesa da sua soberania.”

Na avaliação do ministro, o embargo dos Estados Unidos colabora para que Cuba tenha dificuldades em encontrar movimentos positivos nas áreas de direitos humanos, democratização e liberação econômica.

África

Durante sua visita a Bogotá, o ministro das Relações Exteriores também destacou o interesse do governo brasileiro em ter uma relação mais próxima com a África.

Segundo Amorim, o Brasil tem uma dívida com esse continente, que ajudou a civilizar o país e está tão presente na cultura brasileira. De acordo com ele, isso já justificaria a aproximação com os africanos defendida pelo presidente Lula desde a sua posse.

“É um continente com muitos problemas. Mas é um continente vibrante”, assinalou Amorim. “Pode até ter miséria, mas, de maneira nenhuma, estagnação. E eles têm muita sede de Brasil por lá.”

Conforme o ministro, o trabalho desenvolvido recentemente pela diplomacia brasileira para solucionar o impasse provocado pelo golpe de Estado em São Tomé e Príncipe demonstra que o país pode ajudar a encontrar soluções para os problemas africanos.

O presidente Lula deve iniciar uma viagem à África em 5 de agosto. Entre as principais metas da diplomacia brasileira no continente está uma maior cooperação com os membros da CPLP: Guiné-Bissau, Angola, Moçambique e São Tomé e Príncipe.

Alca

Celso Amorim também defendeu a posição brasileira em relação a Área de Livre Comércio das Américas (Alca) durante sua passagem por Bogotá.

Em um artigo de meia página, publicado nessa sexta-feira no principal jornal colombiano, o El Tiempo, ele disse ser necessário encontrar o equilíbrio entre as ambições brasileiras e a necessidade de não comprometer a capacidade de executar políticas de desenvolvimento social.

Conforme Amorim, os prazos não podem prevalecer sobre os conteúdos.

De acordo com ele, uma negociação bem-sucedida para o Brasil na Alca teria respeitar o direito do país de decidir, de forma autônoma, suas políticas sócio-ambientais, tecnológicas e industriais.

Outra preocupação brasileira é obter melhores condições de acesso das exportações brasileiras nos setores em que o país é mais competitivo.

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