|
| ||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
França nega contato com Farc para libertar refém
O embaixador da França na Colômbia, Daniel Parfait, desmentiu neste sábado que seu governo tenha feito qualquer contato com os rebeldes das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) para negociar a liberação da ex-candidata à Presidência colombiana Ingrid Betancourt. De acordo com Parfait, a revista Carta Capital mentiu ao informar, na edição que circula nesse final de semana, que funcionários do governo francês teriam viajado ao Brasil para concretizar a operação de resgate de Ingrid, seqüestrada pelo grupo guerrilheiro em 23 de fevereiro do ano passado. Alguns meios de comunicação têm publicado supostos rumores sobre a situação de Ingrid Betancourt. Quero desmentir formalmente que tenha ocorrido qualquer negociação entre as autoridades francesas e as Farc, disse Parfait. Não ocorreu nenhum contato depois do rompimento do processo de paz entre o governo colombiano e as Farc. Missão humanitária Parfait confirmou, no entanto, que um grupo de médicos franceses realizou uma missão humanitária no Brasil nos mesmos locais e nas mesmas datas publicadas pela revista. Segundo a Carta Capital, um avião militar Hércules C-130 do governo francês teria aterrissado com cinco tripulantes e 11 passageiros, todos com passaportes diplomáticos, em 9 de julho, no aeroporto internacional Eduardo Gomes, em Manaus. Quatro deles embarcaram num pequeno avião para São Paulo de Olivença, a 973 km de Manaus e cerca de 150 km da fronteira com a Colômbia, diz a revista, que cita fontes da Polícia Federal brasileira. Na reportagem, o piloto do segundo avião disse ter sido informado que os passageiros regressariam a Manaus no dia seguinte, depois de buscar outras quatro pessoas. A revista afirma ainda que, no mesmo período, a irmã de Ingrid, Astrid Betancourt, e o marido da ex-candidata, Juan Carlos Lecompte, esperavam a liberação dela em Tabatinga, cidade brasileira fronteiriça com a colombiana Leticia. Ao abandonar São Paulo de Olivença, os franceses deixaram uma mensagem com o padre da localidade, Pedro César do Amaral, aparentemente para as Farc, avisando que o encontro não tinha sido realizado e que eles regressariam a Manaus. O fracasso do suposto contato para concretizar a liberação de Ingrid Betancourt não é explicado, mas, de acordo com a revista, as Farc desconfiaram de alguma coisa. Repercussão O embaixador francês na Colômbia disse que seu governo não costuma fornecer detalhes sobre operações humanitárias. Mas, quando foi perguntado se teria informações de que Ingrid Betancourt se encontrava doente, Parfait confirmou ter escutado rumores sobre esse assunto. A BBC Brasil tentou entrar em contato com Lecompte para confirmar a veracidade da história. Mas, em sua casa, em Bogotá, afirmam que ele se encontra fora da Colômbia desde 14 de julho e estará de volta na próxima segunda-feira. A mãe de Ingrid, Yolanda Pulecio, não está atendendo telefonemas. Com o título Na Amazônia, operação ilegal de resgate, a reportagem de capa da Carta Capital ganhou enorme repercussão na imprensa colombiana. Desde a noite de sexta-feira, emissoras de rádio e de televisão divulgam trechos dessa história. Neste sábado, o material foi reproduzido pelos principais jornais. Segundo a revista, nos quatro dias em que permaneceu no país, a delegação francesa não permitiu que a Polícia Federal inspecionasse o Hércules C-130, alegando imunidade diplomática. A reportagem deixa no ar a dúvida sobre o tipo de carga transportada e o que receberiam os ocupantes em troca do contato com os rebeldes. Um dos homens que ocupava o avião foi identificado como Pierre Henri Guignard, chefe-adjunto do gabinete do ministro de Relações Exteriores da França, Dominique de Villepin. Integraram o grupo o segundo secretário da Embaixada da França no Brasil, Marc Siegfried Efchin, e o cônsul honorário da França em Manaus, Daniel Adolphe Rosenthal. As autoridades brasileiras também identificaram Antoine Cardillo, Dominique Desugny, Jacques Drussant e Yves Lefarge. A Polícia Federal disse que os outros integrantes do governo francês aparentavam ter formação militar e entre 30 e 40 anos. |
| ||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||