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Atualizado em: 18 de julho, 2003 - 02h30 GMT (23h30 Brasília)
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Uribe anuncia nova fase de repressão à guerrilha

O presidente colombiano, Álvaro Uribe
O presidente transferiu a sede de seu governo para Arauca por três dias

Depois de definir as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) como “uma praga, que se converteu em pesadelo para os colombianos”, o presidente Álvaro Uribe anunciou uma série de medidas para acabar com a atuação dos grupos armados ilegais no Estado petroleiro de Arauca.

O Estado, rico em petróleo, faz fronteira com a Venezuela e convive com combates permanentes entre guerrilheiros de esquerda, paramilitares de direita e membros do Exército, que disputam o controle da zona.

Nesta quinta-feira, última dia de trabalho na região - para onde transferiu seu gabinete desde terça-feira - Uribe prometeu fumigar todas as plantações ilícitas, aumentar a presença militar e prender candidatos às próximas eleições que pedirem permissão à guerrilha e aos paramilitares para fazer campanha.

“O que vemos aqui não é um conflito. É um ataque miserável do terrorismo contra o povo colombiano”, assinalou o presidente, num discurso considerado “duro e radical” pela imprensa local.

Fumigação

“Em Arauca, a guerrilha é forte porque existe cultivo de drogas. Para derrotá-la, necessitamos combater a indústria da cocaína, cortar sua principal fonte de financiamento.”

Segundo o presidente colombiano, a erradicação aérea das plantações de coca, matéria-prima para a produção de cocaína, começará em três semanas.

Uribe acredita que, só no Estado de Arauca, existem 10 mil hectares de coca plantada.

“Em poucos dias chegarão nossas estruturas de fumigação para destruir a droga em Arauca”, afirmou. “Vamos tirar o sustento desses bandidos e, assim, facilitar a derrota deles.”

O governo anunciou a possibilidade de contratar mil famílias camponesas para erradicar manualmente as plantações de coca e, assim, reforçar o trabalho de fumigação aérea.

De acordo com ele, essas pessoas poderiam se transformar em vigias dessas áreas, para que nunca mais seja plantada coca em Arauca.

O presidente também anunciou a chegada de 500 soldados camponeses, que vão vigiar a cavalo a zona rural.

Eleições

Uribe mandou um recado para os candidatos às eleições de 26 de outubro, quando os colombianos vão às urnas para escolher novos governadores, prefeitos e vereadores.

Ele prometeu garantir a segurança de todos, mas avisou que mandará para a cadeia aqueles que pedirem autorização às Farc, ao Exército de Libertação Nacional (ELN) ou aos paramilitares de direita para fazer campanha.

O presidente Uribe e a ministra da Defesa Marta Lucia Ramírez
Uribe cumprimentou militares que atuam em Arauca

Em eleições anteriores, vários candidatos se reuniram com essas organizações, por vontade própria ou obrigados.

Segundo Uribe, o governo tem informações de que a prática está ocorrendo novamente. Contudo, desta vez ele disse que isso não vai ser permitido.

Desafio

A visita de Uribe a Arauca, região marcada pela violência, contou com um forte dispositivo de segurança, em que foram destacados mais de cinco mil homens.

Analistas políticos colombianos consideraram a decisão de Uribe como um grande desafio a sua política de segurança e uma clara confrontação com Farc e ao ELN, que têm forte presença em Arauca.

Na avaliação dos analistas, o governo queria demonstrar que tem controle total do país, apesar dos problemas de violência. O presidente afirmou, no entanto, que essa viagem serviria para impor uma nova derrota aos grupos armados ilegais.

Álvaro Uribe também deu uma difícil tarefa aos membros do Exército e da Polícia no seu último dia de trabalho em Arauca.

Ele garantiu ter informações de que guerrilheiros colombianos estariam ultrapassando a fronteira com a Venezuela, para se esconder e se proteger contra operações das Forças Armadas.

“Temos que ter muito cuidado para que eles não sigam utilizando esse recurso de covardia, que é cruzar a fronteira”, disse. “Não os deixem cruzar. Capturem a todos.”

Apesar do numeroso efetivo de segurança destacado para proteger região durante a visita do presidente, uma granada foi detonada por um suposto guerrilheiro num centro comercial de Saravena, a 100 km da capital, Arauca.

Atentados

O incidente, que deixou uma mulher morta e feriu outras sete pessoas, ocorreu no final da manhã desta quinta-feira. As autoridades policiais informaram um membro do ELN foi responsável pelo atentado.

Nesta quarta-feira, duas torres de energia foram dinamitadas em Arauquita, deixando sem eletricidade grande parte do Estado de Arauca.

Segundo as autoridades locais, que responsabilizaram as Farc pelo incidente, essa foi a sexta vez no ano em que o sistema energético de Arauca sofreu um atentado.

Na visita anterior de Uribe, em outubro do ano passado, um carro-bomba explodiu minutos antes de sua chegada, matando dois policiais.

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