|
| ||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
Ministro confirma que Brasil expulsou avião francês
O ministro de Relações Exteriores, Celso Amorim, confirmou nesta sexta-feira que o governo determinou a saída do Brasil de um avião francês que participou de uma operação não-autorizada em território brasileiro. Celso Amorim disse que foi informado da presença dos franceses que teriam participado de negociações para a libertação da ex-candidata à presidência da Colômbia Ingrid Betancourt apenas três dias depois da chegada deles ao país. "Fiquei sabendo da presença deles no sábado, quando me disseram que estavam no Brasil desde a quarta-feira", afirmou o ministro. "Não me contaram detalhes da operação. A informação foi tardia e incompleta, e determinamos que o avião fosse embora." 'Operação humanitária' Os franceses teriam assegurado ao governo brasileiro que estavam realizando uma operação humanitária, mas não entraram em detalhes. O assunto ganhou enorme repercussão na Colômbia, depois que a revista Carta Capital publicou uma reportagem com os detalhes da presença dos franceses no Brasil entre os dias 9 e 13 de julho. De acordo com a revista, os franceses estariam negociando com as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc), em território brasileiro, o resgate de Ingrid Betancourt, seqüestrada em 23 de fevereiro do ano passado. As autoridades francesas negaram ter participado de qualquer tipo de negociação com os guerrilheiros. Os franceses confirmaram, no entanto, que estiveram em Manaus, para atender a um pedido da família de Ingrid, que tinha informações de que ela poderia ser liberada em algum lugar da fronteira entre o Brasil e a Colômbia e necessitaria de atendimento médico. Troca-troca A Carta Capital cogitou a possibilidade de os franceses estarem negociando a troca da ex-candidata presidencial por armas, porque eles teriam se recusado a abrir o avião às autoridades brasileiras. Celso Amorim descarta essa possibilidade. "Quando me informaram do assunto, me asseguraram de que não havia armas no avião ou que eles tivessem mantido contatos com as Farc", disse o ministro. "Tanto a Polícia Federal quanto as Forças Armadas vasculharam toda a área em que eles estiveram. Não tenho nenhum indício que me faça supor que tenha ocorrido algum tipo de negociação em território brasileiro ou com a participação passiva do Brasil." Amorim também confirmou que o governo brasileiro já teria comunicado formalmente às autoridades franceses o seu desconforto sobre a realização da operação. Surpresa De acordo com o ministro, o governo brasileiro teria ficado surpreso com a ação sobre a qual não teve consulta prévia nem informação adequada das circunstâncias envolvendo a presença de um avião e de cidadãos franceses. Amorim disse estar certo de que episódio semelhante não voltará a ocorrer no Brasil. Sobre um novo rumor envolvendo a presença de franceses no Brasil, o ministro disse desconhecer as informações publicadas no jornal Extra de que as Farc estariam dispostas a liberar Ingrid Betancourt em troca de atendimento médico da equipe francesa ao líder Raul Reyes. "Não temos nenhuma informação sobre o caso, mas vamos investigar", disse o chanceler. "Asseguro que o governo do presidente Uribe pode ficar tranqüilo, porque vamos trabalhar conjuntamente." Amorim está em Bogotá para participar de uma série de reuniões com ministros colombianos. Em pauta, a integração sul-americana, negociações envolvendo projetos entre os dois países nas áreas agrícola, ambiental, de saúde e educacional, além de um trabalho mais eficaz no combate às drogas, terrorismo e crime organizado. Uribe Na quinta-feira, o ministro esteve reunido com o presidente Álvaro Uribe. Na ocasião, Amorim manifestou o interesse do Brasil em colaborar com um futuro processo de negociação entre o governo colombiano e grupos armados ilegais em ação no país. "Nós achamos que o ideal para a Colômbia seria encontrar uma solução negociada para o conflito. Mas respeitamos as posições do governo colombiano", disse o ministro sobre a intenção do presidente Uribe de derrotar militarmente as guerrilhas colombianas. "De qualquer maneira, a solução final terá de ser com algum tipo de negociação. Se pudermos ter alguma utilidade nesse processo, faremos isso com muito prazer." Amorim também manifestou seu interesse em ajudar o presidente Uribe numa possível negociação com as Farc, tendo como intermediária a Organização das Nações Unidas (ONU). De acordo com o ministro, esse assunto poderia ser mencionado durante reunião que terá com o secretário-geral da ONU, Kofi Annan, nos próximos dias. "Como neste momento há movimentos do lado das Farc de tentar um diálogo, talvez por aí consigamos desbloquear alguma coisa. É sempre bom ver uma luz no fim do túnel", disse o ministro. |
| ||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||