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Atualizado às: 07 de março, 2005 - 03h09 GMT (00h09 Brasília)
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China combate fama de produtos ‘baratos que saem caro’

Modelos na Semana de Moda de Hong Kong
Grifes como Versace e Armani fabricam produtos na China
A indústria e o governo da China têm investido alto em ciência e tecnologia para reverter a imagem que por algum tempo esteve atrelada aos produtos fabricados no país.

“O estereótipo que muitas pessoas ainda têm da China é aquele relativo a produtos baratos e de qualidade duvidosa”, afirma Mário Sérgio Salerno, coordenador do Grupo China do Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada).

“Isso existe? Existe. Agora, o que se nota também é que a China está fazendo esforços muito grandes para se mover para uma posição de produtora de bens de maior valor agregado”, acrescenta Salerno.

O diretor do Ipea lembra que o Japão também viveu problemas semelhantes no pós-guerra, mas, depois, conseguiu inverter a fama negativa de seus produtos.

“A China faz investimentos muito grandes no desenvolvimento de ciência e tecnologia”, comenta Salerno. “Além disso, tem bons programas de biotecnologia e nanotecnologia, que são duas atividades portadoras de futuro, como se diz aqui no Brasil.”

Pesquisa de ponta

Outro sinal de que a China tem procurado disputar mercados de produtos de maior valor agregado e conteúdo tecnológico, na opinião do pesquisador do Ipea, é a forte indústria de microeletrônica do país.

“É verdade que é muito capital estrangeiro, mas, enfim, a indústria está lá”, diz Mário Sérgio Salerno. “Eles estão tentando desenvolver seus próprios chips.”

O representante no Brasil do órgão do governo chinês que promove o comércio internacional, André Sun, afirma que a presença na China de grandes fábricas de empresas como Nokia e Mercedes-Benz é um indicador positivo da qualidade dos produtos chineses.

“Na área de pesquisa de ciência de ponta, a China também lidera em vários setores no mundo”, diz Sun, que é o responsável pela instalação no Brasil de um escritório da CCPIT (Conselho da China para a Promoção do Comércio Internacional, na sigla em inglês).

Fábrica para o mundo

O presidente da Câmara de Comércio e Indústria Brasil-China (CCIBC), Charles Tang, diz acreditar que, aos poucos, a China começa a criar suas multinacionais e competir em mercados mais sofisticados, ao invés de ser apenas fabricante para terceiros.

“A China está comprando grandes marcas internacionais”, afirma Tang, que cita como exemplos as negociações de empresas chinesas para comprar os computadores Lenovo, da IBM, e as negociações com a companhia francesa Thomson e a alemã Grundig.

“Cada vez mais, depois da abertura, a China é uma fábrica para o mundo”, comenta o presidente da CCIBC. “Intel, Versace e Armani fabricam na China, todos com um nível muito alto de exigência em termos de sofisticação, tecnologia e qualidade.”

Na opinião de Charles Tang, a visão de produtos chineses como mercadorias baratas e de qualidade duvidosa, na verdade, nunca se justificou.

“Aqui no Brasil, a maioria do povo conhece a China pelo R$ 1,99, mas a China sempre teve produtos de alta tecnologia e sofisticação. Mesmo nos anos 50, a China já fabricava jatos MiG, mísseis balísticos intercontinentais, armamentos nucleares etc.”, conclui.

Eric Vanden Bussche, professor da Universidade de Pequim, acredita que o peso das empresas chinesas será cada vez maior no comércio mundial.

“A China quer expandir seu mercado para fora de suas fronteiras”, diz Bussche, apontando o caso da empresa francesa Danone, que vendeu sua filial na Ásia para a empresa de refrigerantes chinesa Wahaha.

Além de aquisições, os empresários chineses também apostam em parcerias com os estrangeiros. É o caso de uma das maiores fabricantes de carros da China, a Corporação de Indústria Automotiva de Xangai, que aguarda aprovação do governo chinês para investir na britânica MG Rover.

*Colaborou Adriana Stock

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