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Atualizado às: 21 de maio, 2004 - 21h26 GMT (18h26 Brasília)
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Embargo chinês à soja brasileira é mal-intencionado, diz consultor

Soja
A CNA acredita que embargo é um fato isolado
A decisão da China de devolver um carregamento de soja brasileira há cerca de dez dias pode fazer parte de uma manobra para baixar seus estoques internos e tentar reduzir o preço do produto no mercado internacional, de acordo com John C. Baize, presidente da consultoria americana John C. Baize and Associates.

O carregamento com soja das empresas Noble Grain, Cargill Agrícola, Irmãos Trevisan e Bianchini teria sido devolvido por conter sementes tratadas com os fungicidas Captan e Carboxin, mas a informação é contestada pelo especialista americano.

“As regras internacionais estipulam que impurezas de até 0,2% são toleráveis, mas os chineses decidiram praticar uma política de tolerância zero neste caso”, afirma Baize. “Sempre é possível que a carga seja contaminada por pequenos níveis de impurezas e a tolerância é necessária para garantir que as encomendas sejam entregues sem problemas.”

A Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), no entanto, acredita que o caso, apesar de indesejado, é um fato isolado e compreensível.

“A quantidade de soja com fungicida no carregamento é realmente insignificante, mas discordo que haja uma política indireta de reduzir as importações por trás desse caso. Como nosso comércio de soja com a China é expressivo, cabe a nós zelar pela satisfação do cliente”, avalia Gilman Viana, presidente da CNA.

“Há uma semana, recebi um grupo de chineses pedindo 'pelo amor de Deus' para que nós arrumássemos um fornecedor de soja para eles”, diz Viana, explicando que eles precisam do produto.

Alternativa à rescisão

Mas para o consultor americano, a decisão chinesa é resultado de uma série de problemas internos.

“Os processadores da China estão com problemas financeiros muito graves e compraram muita mais soja do que precisavam”, ressalta Baize.

“Agora os preços da soja baixaram e eles estão perdendo muito dinheiro porque têm um estoque muito alto. Acho que os chineses estão usando esta questão do fungicida para barrar as importações, pois a rescisão de contratos teria um custo muito alto”, especula o especialista no mercado de grãos.

Ele destaca que em um dos navios, que ainda está no Porto de São Francisco (RS), foram registrados apenas 0,06% de fungicida na carga e que a Cargill, uma das empresas que teve sua soja embargada, é responsável por 20% a 30% das exportações de soja brasileira para a China.

“Pelo que sabemos, um problema destes nunca ocorreu antes. Existem empresas que não querem mais soja e talvez tenham encontrado meios para convencerem as autoridades portuárias ou as autoridades de inspeções a serem mais rigorosos e ajudá-los”, avalia Blaize.

“Em alguns casos – quatro ou cinco – já sabemos que as empresas importadoras estão falidas”, acusa o consultor.

Punição

O presidente da CNA, entretanto, avalia que não há motivo para preocupação quanto à posição chinesa, justamente por acreditar que se trata de um caso isolado.

Mas o fato de ter havido contaminação, isso sim, preocupa. E, neste ponto, Viana e Blaize concordam.

“As sementes que foram misturadas com o grão devem ter vindo de um fazendeiro que talvez tivesse sementes a mais e para vender e misturou-as com o grão”, elabora o consultor. “Isso está totalmente errado. Se conseguirem encontrar os responsáveis, com certeza eles serão punidos.”

“Temos que descobrir o que aconteceu. Como essa soja foi parar lá? O Ministério da Agricultura tem que investigar”, diz o representante dos agricultores. “Se for verificado que foi uma coisa casual, acidental, não cabe punição, mas caso contrário, será necessário punir os culpados.”

Mercosul - UE

Antecipando-se à 3ª Cúpula da América Latina e Caribe com a União Européia, que será realizada na semana que vem em Guadalajara, no México, o presidente da CNA pediu flexibilidade aos negociadores brasileiros.

Espera-se que, durante o encontro, possa ser fechado um aguardado acordo comercial entre o Mercosul e a União Européia.

“Temos a tese do ceder”, explica Viana. “Entendemos que ceder nas questões de serviços e investimentos (como querem os europeus) interessa também ao Brasil. Nós precisamos desses recursos, mas nem o governo nem a iniciativa privada brasileira tem condições financeiras para provê-los.”

Segundo o ruralista, o Brasil não tem nada a perder se abrir o mercado aos europeus, mas só a ganhar.

Ele reconhece que o país ganha mais na exportação de produtos com alto valor agregado, mas argumenta que é preciso exportar de tudo.

“Os Estados Unidos não têm paixão nenhuma em exportar grãos. Eles exportam produtos de alta tecnologia, mas começaram a com itens de baixo valor agregado”, compara Viana.

Para o presidente da CNA, o Brasil precisa com urgência de investimentos em infra-estrutura e eles só seriam possível, na visão de Viana, com maior abertura para a iniciativa estrangeira.

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