|
'Proibição de soja brasileira nos EUA é protecionista' | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
A proposta de um deputado americano de proibir a importação de soja brasileira por causa da incidência da ferrugem nas plantações do país é considerada protecionista pelo vice-presidente da Caramuru Alimentos, César Borges de Sousa. "É uma medida emocional, política", diz Sousa, que também é diretor da Associação Brasileira da Indústria de Óleos Vegetais (Abiove). O deputado republicano Tom Latham, do Estado de Iowa, apresentou na quarta-feira à Câmara dos Representantes um projeto pedindo a proibição da importação de soja e farelo de soja do Brasil e da Argentina para evitar a contaminação da plantação de soja americana com a ferrugem, uma praga encontrada em algumas plantações brasileiras. "Se é para proteger a plantação deles é possível pedir que seja feito um tratamento ou a análise do produto antes do embarque, mas não proibir", diz Sousa. "Quero ver de onde eles vão importar quando precisarem", afirma. Maior exportador O Brasil é segundo maior produtor mundial de soja, responsável por 26% da produção mundial e atrás apenas dos Estados Unidos. Entre os exportadores, o Brasil assumiu no ano passado a liderança, com a exportação de 19,9 milhões de toneladas e um crescimento de 25% em relação ao ano anterior. As exportações para os Estados Unidos são pequenas, mas produtores e especialistas brasileiros acreditam que elas podem aumentar este ano porque a quebra de safra nas plantações americanas deixa o produto brasileiro mais competitivo. No ano passado, as exportações brasileiras para os Estados Unidos caíram de um total de 3 mil toneladas em 2002 para apenas 872 toneladas em 2003. "Os Estados Unidos não são um cliente tradicional, só exportamos para algumas regiões onde é mais barato importar do que comprar do mercado interno", diz Sousa. Por causa da facilidade de transporte marítimo e do preço do frete internacional, pode ser mais barato para os Estados da Costa Leste comprar soja brasileira do que levar o produto produzido no interior do país. É o que também acontece no Brasil, onde a região Sul importa soja do Paraguai porque é mais barato do que transportar a produção do Mato Grosso. "Mas os americanos não se conformam com isso. São altamente protecionistas", diz o vice-presidente da Caramuru. A Argentina, que também pode ser afetada se o projeto for aprovado, é o terceiro maior produtor mundial. Desde 2002, a China é o principal destino da soja em grãos exportada pelos produtores brasileiros. No ano passado, o país recebeu 31% das exportações do país. O segundo país que mais compra do Brasil é a Alemanha, seguida da Holanda, que era o principal destino da soja brasileira até 2001. |
| |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||