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Para Graça Lima, soja transgênica é vantajosa para o Brasil
O embaixador brasileiro na União Européia, José Alfredo Graça Lima, acredita que o Brasil só tem a ganhar ao liberar o plantio de soja transgênica. Segundo ele, o país não corre riscos de perder mercados com o novo produto. "O Brasil poderia estar perdendo mercado se renunciasse à produção e exportação desse tipo de produto, com essa tecnologia nova, que garante o abastecimento da população, provavelmente a preços até mais baratos, no médio e longo prazos", diz. "Portanto, isso pode representar uma vantagem." Legitimação O embaixador afirma que a liberação, assinada pelo presidente em exercício, José Alencar, vai servir para legitimar o plantio de soja transgênica que já existe no Rio Grande do Sul. De acordo com Graça Lima, essa questão estava sob debate no Brasil por causa de dúvidas de natureza ambiental e de segurança, entre outras, levantadas por países da Europa. Ele lembrou que nos Estados Unidos já existe uma aceitação quase total desse tipo de tecnologia. Os Estados Unidos, a Argentina e o Canadá concentram 96% de toda a produção mundial de transgênicos. O embaixador afirma que há segmentos da sociedade na Europa que se mostram contrários aos transgênicos. Uma pesquisa encomendada pelo governo britânico, divulgada na quarta-feira, mostrou que metade das 37 mil pessoas ouvidas é totalmente contra a adoção de produtos transgênicos. "Acho que o futuro da expansão da produção de soja está mesmo em tecnologias novas, que tendem a ser mais bem aceitas à medida em que vão se comprovando a sua segurança e a sua capacidade de atender a um número maior de pessoas", afirma o embaixador. Graça Lima disse achar difícil que a comissão que atua pelos países membros da União Européia venha a estabelecer algum tipo de proibição de transgênicos. Ele lembrou que, atualmente, a União Européia está sendo questionada por países como os Estados Unidos, o Canadá, a Argentina sobre a legalidade de se estabelecer algum tipo de restrição ao comércio de transgênicos. Mas, segundo ele, a julgar pelo exemplo das decisões passadas em relação a hormônios para engorda de gado, a tendência é de que os países obtenham um laudo favorável para permitir que o comércio se realize, sem restrições ou discriminações. Oposição Contrapondo a posição do embaixador brasileiro, o engenheiro-agrônomo Tadeu Caldas, dono da Ecotropic, uma consultoria internacional de agricultura orgânica baseada na Alemanha, acredita que até a agricultura orgânica brasileira vai estar comprometida, já que a imagem do Brasil vai passar a estar ligada a produção de transgênico. “A perda vai ser maior nos países da União Européia onde há total rejeição ao material transgênico. Eu acho que essa é uma medida altamente apressada e sem muita visão estratégica”.
“Eu acho que o Brasil vai perder a vantagem que tem no momento no mercado europeu, sem dúvida. Eu conheço muitos importadores que estavam comprando do Brasil sem preocupação porque não havia contaminação do meio-ambiente, já que a semente de material transgênica é muito promíscua e causa danos sérios ao meio-ambiente”. O engenheiro lembrou ainda que, no momento em que o país permite a produção de genéticos, os produtos orgânicos vão precisar passar por análises de contaminação genética, já que o plantio de transgênicos é considerado perigoso para o solo. Com isso, segundo Caldas, o produto brasileiro vai encontrar mais dificuldades de entrar no mercado internacional, além de ter que passar por maiores análises, o que pode encarecer seu preço. A assessoria de comunicação social da Comissão Européia, em Bruxelas, informou que todos os produtos geneticamente modificados precisam passar por um processo de análise de técnicos da comissão e, se aprovados, podem entrar no mercado europeu. A assessoria não pode dizer, no entanto, se a imagem do produto brasileiro em geral pode ficar comprometida com a decisão de permitir o plantio do transgênico no Rio Grande do Sul. |
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