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Nova regra na Europa será barreira para soja transgênica brasileira | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
Uma nova regra de proteção ao consumidor europeu, que exigirá que todo produto transgênico seja claramente identificado a partir de abril, deverá ser a maior barreira à entrada da soja transgênica brasileira na União Européia (UE). A importação de transgênicos, embora controlada, não é proibida legalmente pelo bloco. Por outro lado, a aceitação de produtos transgênicos pelo consumidor europeu é pequena. De acordo com a mais recente pesquisa sobre o assunto, realizada pelo Instituto Eurobarometre, 76% dos europeus se negam ou evitam comprar produtos que contenham Organismos Geneticamente Modificados (OGMs). Safra transgênica Isso prejudicaria a entrada da soja brasileira geneticamente modificada, que continuará a ser plantada no Brasil graças ao acordo anunciado pelo governo, que libera mais uma safra de soja transgênica no país. "A Comissão Européia tem como prioridade dar ao consumidor europeu o direito de escolha. Até hoje, estamos comendo transgênicos sem saber. A partir de abril, porém, o consumidor poderá escolher. Então o mercado vai se reorganizar e a Comissão vai autorizar as importações de acordo com o que o consumidor buscar", disse à BBC Brasil Arancha González, porta-voz do comissário europeu para o Comércio Exterior, Pascal Lamy. O especialista em plantas oleaginosas do Comitê de Organizações Profissionais Agrícolas da UE (COPA), Dimitri Barrua, acrescentou que "exportar soja transgênica para o bloco é possível legalmente, mas menos possível praticamente, pois os próprios importadores temem não conseguir vendê-la no mercado interno". O Brasil é o maior fornecedor de soja para o mercado europeu, junto com os Estados Unidos e a Argentina. O país leva vantagem no setor porque até recentemente produzia somente soja não transgênica, ao contrário dos seus concorrentes. "Se o país quiser passar a vender um produto transgênico para a União Européia, ele terá que ser analisado por especialistas ligados à Comissão. Este processo leva, no mínimo, nove meses. Durante esse período, não há comercialização do produto. Só após todos os testes encerrados", afirmou Gonzalez. Para o embaixador brasileiro nas comunidades européias, José Alfredo Graça Lima, o Brasil não perderá mercados com o plantio da soja transgênica. "Ultimamente, nós diversificamos bastante no setor. Antes, praticamente só exportávamos soja para a UE. Agora estamos vendendo muito para a China também. Isso acaba nos protegendo", disse Graça Lima à BBC Brasil. Maior importador A UE é o maior importador mundial do setor, com 35 milhões de toneladas por ano. A China vem em segundo lugar, com 15 milhões. Ao contrário do Brasil, a China vem reduzindo o seu território de plantação transgênica e ampliando a produção de soja orgânica, segundo dados do Greenpeace International. "A China está de olho no mercado internacional, que vem valorizando cada vez mais os produtos livres de OGMs", diz o conselheiro político do Greenpeace Europa, Eric Gall. O estudo anual sobre o setor, do ISAAA (Serviço Internacional para a Aquisição de Aplicações em Agrobiotecnologia), inclui pela primeira vez o Brasil na sua lista de países que cultivam OGMs. Segundo o documento, o país já é o quarto produtor mundial de transgênicos, com cerca de três milhões de hectares cultivados com soja geneticamente modificada. Os Estados Unidos continuam liderando o ranking, com 42,8 milhões de hectares cultivados com transgênicos, seguidos pela Argentina (13,9 milhões de hectares), Canadá (4,4 milhões de hectares) e China (2,8 milhões de hectares). Segundo o relatório, em 2003 a área global cultivada com lavouras geneticamente modificadas aumentou 15%, passando de 58,7 milhões de hectares para 67,7 milhões de hectares. |
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