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Chineses reclamam de dificuldades para investir no Brasil | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
A falta de incentivos para a entrada de capital estrangeiro e as características do sistema fiscal no Brasil são os maiores obstáculos para investimentos chineses no país, de acordo com o representante do órgão do governo da China que promove o comércio internacional. André Sun é o responsável pela instalação no Brasil de um escritório da CCPIT (Conselho da China para a Promoção do Comércio Internacional, na sigla em inglês). A entidade ainda não tem representação no Brasil, mas espera marcar presença no país até o fim do ano. “Na China, tanto o governo central como os governos locais dão todas as facilidades para a instalação de uma empresa estrangeira”, diz Sun. “E dão também incentivos fiscais aos investidores estrangeiros.” “O Brasil, para atrair mais investimentos estrangeiros, deveria dar mais facilidades nesse sentido”, acrescenta o chinês, antes de citar a outra queixa dos empresários de seu país. “O sistema fiscal aqui no Brasil é bem complicado e tem taxas relativamente altas.” Política amigável O diretor-executivo da CNI (Confederação Nacional da Indústria), José Augusto Coelho Fernandes, cita a “criação de um bom ambiente para o investidor” como uma das possíveis lições da China para o Brasil. “Eu costumo brincar que a China estende hoje o tapete vermelho para os investidores”, comenta o diretor da CNI. “Há um tratamento favorável para os investidores.” De acordo com Fernandes, outros conceitos da política de comércio exterior da China que deveriam servir de referência são o esforço para explorar ao máximo a cooperação entre o setor privado e o governo e o grande investimento em educação e conhecimento. O secretário-executivo do Conselho Empresarial Brasil-China (CEBC), Renato Amorim, também cita a maneira como a China atrai capital estrangeiro para investimentos no país como um elemento que poderia ser adaptado ao Brasil. “A China tem uma política muito forte no sentido de desenvolver as exportações”, afirma Amorim. “Ela é muito amigável à captação de capital estrangeiro.” Para o secretário-executivo do CEBC, além de utilizar o capital estrangeiro como propulsor para as exportações, a China também adotou outra importante estratégia: investiu pesado em infra-estrutura durante as últimas duas décadas. Visão política O presidente da Câmara de Comércio e Indústria Brasil-China (CCIBC), Charles Tang, diz defender a tese de que o Brasil tem mais condições do que China ou Japão para ser “o maior tigre de exportações do mundo”. “Como brasileiro por opção, lamento que não somos por falta talvez de visão política e falta de conhecimento de desenvolvimento econômico”, afirma. Na opinião de Tang, a China se transformou em uma grande máquina de exportação ao “reconhecer o óbvio”: que para ficar próspera, tinha que ter receita. “Nós podemos aprender muito com a China sobre como ganhar receita ao invés de só depender de dívidas com o FMI”, diz o presidente da CCIBC. Ao justificar suas críticas, Tang argumenta que o Brasil consome mais do que o próprio PIB em reservas para manter uma situação de “estabilidade temporária”, apesar de saber que ao fazer isso impede o crescimento do país. “Nos últimos 30 anos, ficamos enamorados demais ao conceito de monetarismo – que não passa de um instrumento de administração pública que usa crédito, câmbio e juros – como se fosse a solução para todos os nossos problemas de crescimento”, conclui Charles Tang. |
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