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Atualizado às: 16 de setembro, 2006 - 23h34 GMT (20h34 Brasília)
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Países em desenvolvimento devem investir nos jovens, diz Bird
"É muito mais fácil desenvolver habilidades na juventude", disse economista-chefe do Bird
Os países em desenvolvimento precisam investir em seus jovens, promovendo educação e saúde e desenvolvendo habilidades essenciais, de acordo com relatório do Banco Mundial (Bird) divulgado neste sábado.

Segundo o relatório, há hoje um número recorde de 1,3 bilhões de pessoas de 12 a 24 anos no mundo. Embora seja registrado um aumento no número de jovens no ensino primário, o Relatório Mundial de Desenvolvimento 2007 diz que 130 milhões são analfabetos.

Cerca de 140 milhões de jovens vivem na América Latina. No Brasil, um dos exemplos tomados no relatório, 14% dos jovens na faixa dos 10% mais pobres da população são analfabetos, e só 4% deles trabalham no setor formal da economia. Ao mesmo tempo, metade dos 10% mais ricos têm um emprego formal, e só 0,3% deles são analfabetos.

"A desigualdade no desenvolvimento humano entre jovens do Brasil ameaça o progresso no futuro", diz o relatório. Os programas Bolsa Família, Pró-Jovem e iniciativas para prevenir a Aids são citados como exemplos do país de romper o ciclo de transmissão de pobreza entre gerações.

A análise mostra que mais de 20% das empresas nos países em desenvolvimento, inclusive no Brasil, consideram a falta de formação profissional e a reduzida educação de seus empregados um obstáculo "grave" ou "muito grande" para suas operações, diz a agência de notícias EFE.

De acordo com o documento do Bird, estima-se que os jovens sejam a metade da massa de desempregados do mundo.

"Janela demográfica"

O relatório estima que é necessária a criação de cerca de cem milhões de novos empregos no Oriente Médio e norte da África antes de 2020 para lidar com o grande número de jovens em busca de trabalho.

O economista-chefe do Bird, François Bourguignon, que participa da reunião anual do Fundo Monetário Internacional (FMI) e Bird em Cingapura, disse que os governos em todo o mundo têm "uma janela demográfica de oportunidade".

"É muito mais fácil desenvolver habilidades na juventude", disse Bourguignon.

"Se nós não fizermos isso, será impossível remediar a oportunidade perdida. É fundamental investir na juventude."

De acordo com dados do relatório do Bird, a "janela demográfica" varia de país para país: em nações industrializadas como o Japão e a Itália, ela se fechou há cerca de dez anos.

A China tem apenas uns poucos anos desta janela ainda aberta, estima o banco, mas a Índia, com uma população mais jovem, ainda tem 30 anos.

Na Indonésia, as crianças freqüentam a escola por seis anos, e 80% completam o curso primário, mas a porcentagem no curso secundário é consideravelmente menor.

Em várias partes da África, poucos se matriculam no curso primário, e o acesso de meninas à educação é considerado problemático.

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