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Governo cedeu na reforma do IR, admite Palocci

O ministro da Fazenda Antonio Palocci
Palocci dará palestra sexta-feira em Madri
O Ministro da Fazenda, Antonio Palocci, reconheceu nesta quinta-feira em Madri que o governo teve que ceder e mexer no texto final sobre a reforma do Imposto de Renda da Pessoa Física (IRPF).

"Um problema", disse o ministro, já que o projeto original deveria entrar em
vigor na sexta-feira e não havia consenso entre os líderes dos partidos.

A solução do presidente Lula de assinar uma medida provisória acabou sendo a única para evitar mais conflitos.

Segundo Palocci, que passará 36 horas na capital espanhola para participar da reunião do Institute of Internacional Finances (Instituto de Finança Internacional), todos os demais pontos polêmicos do projeto foram adiados depois que os líderes se comprometeram nesta quinta-feira a voltar a negociar com o Ministério da Fazenda.

"Para o contribuinte ficam os benefícios e o presidente vai negociar os demais pontos, que serão rediscutidos a pedido dos líderes. Tivemos que chegar a isso porque senão a medida entraria em vigor amanhã do jeito que estava."

A Medida Provisória 232 previa o aumento da carga tributária para as empresas prestadoras de serviços e profissionais liberais. Mas o governo desistiu desses pontos, que sofriam forte oposição no Congresso.

FMI

Palocci dará uma palestra na sexta-feira na reunião onde participam representantes dos setores públicos e privados das instuições financeiras internacionais.

Como o ministro brasileiro, também estarão presentes o Diretor Geral do Fundo Monetário Internacional (FMI), Rodrigo de Rato, o Presidente da Comissão da União Européia, Durão Barroso e o Rei Juan Carlos I.

O encontro com o diretor do FMI será o primeiro desde que o governo brasileiro anunciou que não renovará o acordo com a instituição. Mas não se espera um ambiente tenso, já que o ministro comentou que o Brasil tinha previsto tomar essa decisão desde dezembro de 2003, o FMI estava ciente da idéia e o próprio Rodrigo de Rato disse por telefone que o Fundo está à disposição do Brasil para qualquer novo acordo.

No primeiro dia da reunião o Brasil foi elogiado por vários palestrantes que destacaram a política econômica ortodoxa do governo Lula, principalmente no controle da inflação e do déficit público. As críticas foram para a Argentina que, segundo os empresários, continua sem dar credibilidade aos investidores internacionais.

Quanto ao crescimento da economia brasileira, Palocci disse que está confiante. "Eu estou bastante otimista! Estamos em estado de vigilância permanente com nossa política monetária e controle inflacionário. Sempre digo que só há um médico no Ministério da Fazenda (ele), os outros são economistas competentes."

Os únicos motivos de preocupação são a instabilidade do preço do barril do petróleo e as possibilidades de mudança na política monetária dos Estados Unidos.

"São as únicas nuvens negras, mas acho que o cenário financeiro internacional para 2005 é bom e o Brasil vai continuar num ritmo de crescimento bastante favorável."

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