|
Déficit comercial dos EUA sobe para US$ 58,3 bi | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
O déficit da balança comercial dos Estados Unidos chegou a US$ 58,3 bilhões em janeiro, o segundo o maior resultado negativo desde que as estatísticas começaram. O resultado, divulgado nesta sexta-feira, está acima do que previa o mercado e bem superior ao déficit de dezembro, de US$ 56,4 bilhões. A notícia aumentou a pressão sobre o dólar e o euro subiu para US$ 1,3471. Para os investidores, o déficit comercial crescente, combinado com o elevado déficit fiscal, põe em risco o crescimento da economia americana. O Brasil e outros emergentes podem vir a sofrer se houver uma desaceleração dos Estados Unidos. Diversificação O déficit comercial contribui para a maior parte do resultado negativo em conta corrente (que mede as entradas e saídas de recursos no país) dos Estados Unidos. O déficit fiscal americano está perto dos US$ 500 bilhões. Os dois resultados negativos são financiados principalmente pela compra de papéis de dívida em dólar por bancos centrais de outros países. O total de recursos que entram diariamente, no valor de cerca de US$ 2 bilhões por dia, corresponde a cerca de 80% do excesso de poupança no mundo, segundo economistas. Isso ajuda a segurar a depreciação do dólar em relação a outras moedas. Os governos da Ásia vêm comprando dólar, em parte para impedir que as suas moedas se apreciem ainda mais em relação à moeda americana. No entanto, com a queda de 50% na cotação do dólar nos últimos três anos, muitos desses governos vêm dando indicações de que eles poderão ser obrigados a diversificar suas aplicações. Boatos Na quinta-feira, indicações nessa direção dadas pelo primeiro-ministro do Japão – depois negadas pelo Ministério das Finanças japonês – provocaram a queda do dólar, de forma semelhante ao que aconteceu com declarações parecidas da Coréia do Sul. Nesta sexta-feira, um relatório do grupo Lehman Brothers apontou para uma queda para 76% do total de reservas da China em moeda estrangeira investidos em papéis da dívida denominados em dólar, no fim de 2004. Um ano antes, o total de bônus em dólar na carteira de investimentos da China representava 82% das reservas, segundo esse relatório. Mas nem todos parecem manifestar clara preocupação com o déficit em conta corrente dos EUA. O presidente do Fed (Federal Reserve, o banco central americano), Alan Greenspan, enfatizou em discurso no Council on Foreign Relations (um centro de estudos em Washington), na quinta-feira, que a queda do dólar, junto com o livre comércio, ajudaria a diminuir naturalmente o déficit em conta corrente dos EUA. |
| |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||