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Dólar baixo não é problema para Bush, diz economista | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
A baixa do dólar frente a outras moedas internacionais não representa um problema para o governo do presidente George W. Bush, segundo o diretor de pesquisas para a América Latina do banco de investimentos West LB, Ricardo Amorim. “É provável que a gente continue vendo desvalorizações graduais e não uma crise mais pronunciada”, afirma Amorim. Para o economista, um dólar fraco é a forma mais conveniente de o governo Bush fazer o ajuste das contas externas americanas, principalmente, controlar o déficit da balança comercial – no mês passado, o país importou US$ 60 bilhões a mais do que exportou. “(Para que o déficit diminuísse) a demanda interna americana teria que crescer mais lentamente que a demanda externa mundial”, diz Amorim. Como isso não vem acontecendo, diz o economista, o ajuste vem sendo feito pelo enfraquecimento do dólar. Oferta e demanda O fato de os Estados Unidos comprarem mais do que vendem significa que há mais dólares no mercado. Quando um importador compra produtos chineses paga ao produtor em dólares, aumentando a oferta da moeda no mercado e, por consequência, barateando o seu custo. Há alguns anos, investidores estrangeiros ávidos por ativos americanos como bônus e ações mantinham alta a demanda por dólares. Hoje, no entanto, com um mercado menos “eufórico”, a demanda está menor, diz a colunista de economia da BBC Mariana Martínez. De fato, muitos investidores têm vendido os seus ativos em dólares para comprar em outras moedas, acentuando ainda mais a tendência de queda. O desequilíbrio na balança comercial também é conseqüência do déficit fiscal americano – diferença entre o que país gasta e recebe –, explica Mariana Martínez. Para reduzir esse déficit, o governo americano teria que adotar políticas fiscais mais austeras, aumentando os impostos ou cortando gastos. A elevação dos impostos é tida como improvável pelo histórico de Bush, que no primeiro mandato aprovou os maiores cortes fiscais já feitos nos Estados Unidos. Um corte dos gastos também parece difícil, dado o aumento dos gastos militares com a guerra no Iraque e o reforço da segurança dentro do país. Ricardo Amorim diz que a desvalorização do dólar “pode gerar alguns riscos” para o governo americano nos próximos anos, mas ele não acredita que esses riscos apareçam em 2005. “É possível que ele (Bush) se veja numa situação na qual ele não possa evitar adotar políticas fiscais mais contracionistas, mas esse ponto ainda não chegou. Antes disso, o dólar ainda teria que se desvalorizar muito." À exceção da Europa, que tem os seus produtos encarecidos pela alta do euro, a situação americana convém a vários parceiros comerciais americanos, especialmente aos asiáticos. Não só a China e o Japão estão entre os principais exportadores para os Estados Unidos, como são atualmente os que mais compram títulos do Tesouro americano. “Não interessa para esses países que haja uma venda em massa desses títulos”, diz Amorim. “A situação atual é um equilíbrio instável, mas é um equilíbrio que de alguma forma interessa a todos. O déficit ocorre principalmente com os países asiáticos, que são as maiores fontes de financiamento do déficit americano, tanto público como comercial." Os maiores prejudicados são os europeus, que vêm cobrando dos Estados Unidos medidas para conter a queda da moeda. O governo americano, no entanto, devolve a batata quente, cobrando que eles façam mais para melhorar seus tímidos índices de crescimento. Brasil Para o Brasil, Amorim acredita que a baixa do dólar ainda é algo a se comemorar. Segundo o economista, o câmbio atual não ameaça as exportações, já que, embora mais caros em dólar, os produtos brasileiros continuam competitivos quando comparados com os europeus, por exemplo. Para Amorim, o impacto positivo sobre a inflação e a dívida pública ainda superam um eventual efeito negativo sobre as exportações. “Ainda há uma parte significativa da dívida pública no Brasil que é emitida no exterior ou que é emitida no Brasil mas cuja variação depende da taxa de câmbio. O real se apreciando faz com que essa dívida tenha uma redução grande de custo e com isso os fundamentos brasileiros ficam mais fortes, a capacidade brasileira de atração de investimento aumenta e isso faz com que o país possa crescer mais”, afirma ele. |
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