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Em Davos, Chirac pede imposto internacional contra a Aids | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
O presidente da França, Jacques Chirac, propôs, nesta quarta-feira, a cobrança, em caráter experimental, de um imposto internacional para financiar a luta contra a Aids. "Apesar das extraordinárias ações do Fundo Monetário Internacional (FMI), da Organização Mundial de Saúde (OMS), do Banco Mundial e de patrocinadores particulares, estamos fracassando diante dessa terrível pandemia", disse Chirac, em discurso realizado em videoconferência para o Fórum Econômico Mundial. Ele não conseguiu chegar a Davos, na Suíça, onde se realiza o evento, devido ao mau tempo. Questões de uma agenda mais social, como o combate à Aids e às mudanças climáticas, dominaram o primeiro dia do fórum, que também contou com um discurso do primeiro-ministro britânico Tony Blair. Sobre o imposto contra a Aids, o presidente francês disse que as taxas poderiam ser cobradas sobre transações financeiras internacionais, e sobre a venda de passagens aéreas e de combustível para viagens por ar ou mar. "Para financiar pesquisas de vacinas, desenvolver campanhas de prevenção e remover os obstáculos que impedem as pessoas de receber tratamento, precisamos levantar pelo menos US$ 10 bilhões por ano, em vez dos atuais US$ 6 bilhões", afirmou. A OMS disse que há uma escassez de US$ 2 bilhões para que sejam atendidas as metas de que 3 milhões de pessoas estejam recebendo tratamento contra Aids até o fim de 2005. Segundo a OMS, 700 mil pessoas em países pobres estão recebendo tratamento, comparados às 440 mil que estavam sendo tratadas há seis meses. Mas esse número corresponde a apenas 12% dos 5,8 milhões que precisam dos medicamentos. Clima Além da luta contra a Aids, as mudanças climáticas também lideram a lista de preocupações da agenda social do Fórum. O primeiro-ministro britânico, Tony Blair, lembrou que as mudanças climáticas são um problema que todos os países precisam enfrentar juntos, e pediu que os Estados Unidos se lembrem das necessidades do mundo quando quiserem apoio internacional para suas ações. "Se os Estados Unidos querem que o resto do mundo seja parte de sua agenda de prioridades, eles também têm que fazer parte da agenda dos outros países", disse Blair, segundo a agência de notícias Associated Press. O primeiro-ministro britânico prometeu ajudar países em desenvolvimento a reduzir o nível de poluição e a construir economias menos prejudiciais ao meio ambiente. Blair pediu também que o mundo adote uma agenda comum, na qual a principal prioridade seja a cooperação na luta contra o que ele classifica de terrorismo. Blair fez um apelo para que os países defendam os direitos humanos e a liberdade, e "procurem aumentar o número de pessoas que possam viver em democracias". Iraque O líder britânico negou acusações de que a coalizão liderada pelos Estados Unidos no Iraque esteja tentando "forjar" um governo de estilo ocidental com a realização das eleições no país, neste domingo. "A noção de que a democracia é uma 'idéia ocidental' não tem sentido algum, como o povo do Afeganistão recentemente demonstrou", afirmou. Os temas do discurso de Blair são também aqueles que ele quer que dominem a presidência do G-8 – grupo dos sete países mais ricos do mundo e mais a Rússia –, que está a cargo da Grã-Bretanha. Lula Mais de 20 líderes mundiais vão comparecer ao Fórum de Davos. O novo presidente da Ucrânia, Viktor Yushchenko, o recém-eleito líder palestino, Mahmoud Abbas, e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva também participam do encontro anual. Representantes do mundo do showbiz também comparecem ao evento. Entre eles, Bono, vocalista do U2, e conhecido por suas campanhas pelo comércio justo e desenvolvimento, e a atriz Angelina Jolie, que faz campanhas da ONU. Ao contrário de anos anteriores, acredita-se que os protestos contra o Fórum Econômico Mundial serão discretos. Manifestantes contra a globalização cancelaram um protesto que estava planejado para o fim da semana. Empresas O Fórum de Davos também é dominado por questões empresariais, desde outsourcing até liderança empresarial. Executivos de mais de 20% das 500 maiores empresas do mundo devem comparecer ao Fórum na Suíça. Uma pesquisa publicada na véspera do encontro pela PricewaterhouseCoopers disse que quatro em cada dez líderes empresariais estão confiantes de que as vendas de suas empresas vão crescer neste ano. Executivos asiáticos e americanos estão mais confiantes do que os europeus. |
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