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EUA e UE reforçam otimismo do Brasil sobre acordo na OMC | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
Após o fracasso da reunião da Organização Mundial do Comércio (OMC) em Cancún, no México, em setembro do ano passado, representantes de países ricos e em desenvolvimento decidiram dar sinais de que as negociações da rodada de Doha, para liberalização do comércio mundial, estão finalmente avançando. Em encontros realizados nesta sexta-feira em Paris, eles se mostraram mais otimistas com a possibilidade de um acordo sobre as modalidades de negociação até final de julho, como previsto pela OMC. Um acordo preciso e com alíquotas e valores definidos é esperado até o final do ano. Mesmo que ainda persistam divergências, principalmente na questão de acesso aos mercados agrícolas (tarifas e cotas de importação), o discurso dos representantes, durante uma reunião na OCDE (Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico), que antecedeu um encontro minimisterial da OMC entre 28 países, apresenta várias semelhanças. As palavras do comissário europeu do Comércio, Pascal Lamy, para explicar os avanços nas negociações agrícolas, são praticamente as mesmas utilizadas pelo ministro brasileiro das Relações Exteriores, Celso Amorim. "Há uma arquitetura vísivel em relação à eliminação dos subsídios à exportação e à produção interna", declarou o comissário europeu, para quem "o vulcão da OMC voltou a soltar fumaça novamente", em uma alusão aos avanços nas negociações. "Na questão do acesso ao mercado interno, estamos ainda na fase do design." Discursos semelhantes Para Lamy, um acordo sobre 50% da agenda de Doha, que além da questão agrícola envolve ainda tarifas industriais e serviços, é possível até julho próximo. Previsão bem próxima à do representante do comércio dos Estados Unidos, Robert Zoellick, que avalia em "55%" as chances de um consenso até julho. O ministro Celso Amorim se mostrou ainda mais otimista: segundo ele, as possibilidades de um acordo na data prevista entre países em desenvolvimento, Europa e Estados Unidos, chegam a oito em uma escala de zero a dez.
O anúncio feito nesta semana pela União Européia de eliminar totalmente os subsídios às exportações agrícolas deu novo alento às negociação da OMC, já que o Brasil tem reiterado que não irá negociar os demais temas se não houver avanços na área agrícola. Robert Zoellick declarou nesta sexta-feira que os Estados Unidos estão prontos para "disciplinar" seus programas de ajuda sob forma de créditos à exportação e deixar de utilizar os programas de auxílio alimentar com fins comerciais. "Há um progresso nítido em relação aos subsídios à exportação e à produção doméstica. E há disposição para considerar novas fórmulas de acesso aos mercados", declarou o ministro Amorim em uma coletiva na sede da OCDE, após ter se encontrado com Lamy e Zoellick. Impasse A questão do acesso aos mercados (cotas e tarifas de importação) continua o principal impasse na área agrícola. O comissário europeu para a Agricultura, Franz Fischler, declarou nesta sexta-feira, em uma entrevista coletiva conjunta com o comissário Pascal Lamy, que o G-20 precisaria entregar sua proposta para acesso aos mercados até a primeira semana de junho. "Caso contrário, não haverá tempo suficiente para discuti-las se quisermos manter o objetivo de chegar a um acordo até final de julho", disse. "O G-20 está trabalhando em uma proposta que atenda aos seus interesses, mas que não bloqueie as negociações", disse o ministro Amorim, antes de acrescentar que o G-20 deve entregar a proposta até junho. Após o marasmo das últimas reuniões, países ricos e em desenvolvimento começam a dar sinais de sair do impasse, em consonância com o diretor-geral da OMC, Supachai Panitchpakdi, que disse: "não tempos tempo a perder". |
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