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Rodrigo Rato pode ajudar proposta do Brasil no FMI | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
O governo brasileiro nutre uma expectativa positiva em relação ao novo diretor-geral do Fundo Monetário Internacional (FMI), Rodrigo Rato. Apesar de evitar fazer comentários públicos ao longo do processo de escolha do novo diretor, membros do governo Lula deixaram claro que acreditam que, com o espanhol no Fundo, será mais fácil convencer a instituição a mudar a maneira de contabilizar como investimentos os recursos investidos em infra-estrutura, que hoje são considerados gastos no superávit primário do Brasil. A forma de cálculo atual limita a capacidade do país inclusive de tomar empréstimos de organismos como o Banco Mundial e o Banco Interamericano de Desenvolvimento. Em sua primeira entrevista após ser indicado oficialmente para o novo cargo, Rato disse que via a proposta brasileira como "útil". Reputação Um dos motivos da expectativa positiva – que também é compartilhada por outros países latino-americanos – baseia-se na atuação de Rato quando era ministro da Economia da Espanha. Rodrigo Rato conquistou reputação internacional como um especialista em América Latina durante a crise argentina. Em 2002, quando empresas espanholas que operavam no país foram forçadas a aceitar perdas de bilhões de dólares, Rato fez campanha para que os investidores se mantivessem no país como uma forma de tentar recuperar a economia do país. Em diferentes ocasiões, Rato também teria se mostrado "simpático" a demandas de países da região, inclusive à mudança na forma de cálculo, embora em nenhum momento tenha se comprometido com propostas dos países. Sem compromisso Horst Köhler, ex-diretor-gerente do FMI, que deixou o cargo há dois meses, também era favorável à mudança proposta pelo Brasil para as contas públicas, mas consultas prévias a membros da diretoria do Fundo apontam dificuldades na aprovação. O cientista político Gilberto Dupas, coordenador do Grupo de Análise de Conjuntura Internacional (Gacint) da Universidade de São Paulo (USP), diz que o apoio prévio dos governos latino-americanos a Rato teve o objetivo de comprometê-lo com políticas que beneficiem a região. Dupas, no entanto, diz não acreditar que o novo diretor-gerente vai necessariamente adotar essas políticas. "Normalmente depois que os dirigentes entram no Fundo Monetário, a ortodoxia comanda essas instituições", afirma. De acordo com Dupas, o importante para o titular do cargo – em um momento em que a função do FMI é questionada, depois de fracassos para solucionar crises como a da Argentina – é que a pessoa tenha "sensibilidade e flexibilidade para buscar novas saídas para impasses criados pela própria instituição". O cientista político acredita que o único ponto de conexão da Espanha com o Brasil é o elevado volume de investimentos espanhóis no Brasil a partir dos anos 1990, principalmente a partir da privatização das empresas telefônicas. "Certamente a Espanha, mais do que outros países, tem interesse em que o Brasil dê certo e que o governo Lula dê certo", afirma. "Mas isso dentro de uma ótica de recuperação de investimentos. Essa é a prioridade. Não é o crescimento dos países. Embora muitas vezes o crescimento ajude o retorno dos investimentos", afirma Dupas. |
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