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Atualizado às: 20 de abril, 2004 - 00h21 GMT (21h21 Brasília)
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Desistência de francês para o FMI agrada governo brasileiro

Rodrigo Rato
Rodrigo Rato é o candidato apoiado pelo Brasil ao cargo máximo no FMI
A desistência do francês Jean Lemierre na disputa pelo cargo de diretor-gerente do Fundo Monetário Internacional (FMI) agradou ao governo brasileiro. Com a desistência, fica praticamente certa a nomeação do espanhol Rodrigo Rato para a função.

Rato, ex-ministro das Finanças espanhol, é apoiado por vários países latino-americanos, entre eles o Brasil.

O ministro do Planejamento, Guido Mantega, não quer falar sobre o assunto enquanto a escolha de Rato não for oficializada. Mas o ministro já havia assinado, há duas semanas, uma carta de apoio à escolha de Rato durante a reunião do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), em Lima, junto com representantes de outros 17 países da região.

O governo brasileiro acredita que, com Rato na direção do FMI, ficará mais fácil convencer a instituição a mudar a maneira de contabilizar como investimentos os gastos com infra-estrutura, que hoje são considerados gastos no superávit primário e limitam a capacidade do país inclusive de tomar empréstimos de organismos como o Banco Mundial e o BID.

“O processo de escolha não é apenas técnico, mas também político”, disse Mantega em Lima.

Mudança

Na reunião do BID, Rato se declarou “simpático” à mudança. O ex-diretor-gerente do FMI, Horst Köhler - que deixou o cargo há um mês e meio - era favorável à mudança, mas consultas prévias a membros da diretoria do FMI apontam para dificuldades na aprovação.

O cientista político Gilberto Dupas, coordenador do Grupo de Análise de Conjuntura Internacional (Gacint) da Universidade de São Paulo (USP), não é tão otimista em relação à possível escolha de Rato para a direção do FMI.

“Não vejo que faça uma diferença fundamental nessa escolha que seja um espanhol. Até porque a pessoa escolhida é uma pessoa envolvida com os princípios ortodoxos que regeram até então as normas centrais do Fundo Monetário”, disse Dupas.

Rato comandou a economia espanhola desde 1996, período no qual o desemprego no país caiu de 23% para 11,2% e a economia cresceu. Ele deixou o cargo neste fim de semana, com a posse do governo de José Luis Rodríguez Zapatero, que venceu as eleições de março.

Dupas diz que o único ponto de conexão com o Brasil é o elevado volume de investimentos espanhóis no Brasil a partir dos anos 90, principalmente a partir da privatização das empresas telefônicas. Na Argentina, onde os investimentos também foram elevados na última década, empresas espanholas perderam muito dinheiro com a crise e com o calote ao setor privado.

“Certamente a Espanha, mais do que outros países, tem interesse em que o Brasil dê certo e que o governo Lula dê certo”, afirma. “Mas isso dentro de uma ótica de recuperação de investimentos. Essa é a prioridade. Não é o crescimento dos países. Embora muitas vezes o crescimento ajude o retorno dos investimentos”, analisa.

Comprometimento

Dupas acha que o apoio prévio a Rato dado pelos governos latino-americano tem o objetivo de comprometê-lo com políticas que beneficiem a região, mas não acha que o novo diretor-gerente vai necessariamente adotar essas políticas.

“Normalmente depois que os dirigentes entram no Fundo Monetário, a ortodoxia comanda essas instituições”, afirma.

O importante para o titular do cargo, neste momento em que a função do FMI é questionada depois de fracassos para solucionar crises como o da Argentina, é que a pessoa tenha “sensibilidade e flexibilidade para buscar novas saídas para impasses criados pela própria instituição”, diz Dupas.

Governos latino-americanos chegaram a fazer alguma pressão política para que um economista da região fosse escolhido, sem sucesso. Ao contrário de organizações internacionais como a ONU, onde cada país tem direito a um voto, nos bancos multilaterais, aos maiores acionistas mandam mais.

Tradicionalmente, os Estados Unidos indicam o presidente do Banco Mundial e a Europa indica o diretor-gerente do FMI.

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