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FMI vê com cautela idéia de mudança de cálculo de déficits | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
O Fundo Monetário Internacional (FMI) mostrou cautela nesta quinta-feira em relação ao pedido, feito inicialmente pelo Brasil e depois endossado por outros países, de uma alteração nas regras de contabilização de déficits governamentais, para permitir aumentos nos gastos públicos com infra-estrutura. O porta-voz do FMI, Thomas Dawson, disse que "muito trabalho tem de ser feito (a respeito da proposta)" porque "para acomodar níveis mais altos de investimentos, algumas compensações têm de ser feitas, já que os recursos são escassos”. A proposta também foi abordada - e criticada - durante uma reunião, em Washington, do Instituto Internacional de Finanças (IIF), uma organização de instituições financeiras que reúne 330 empresas em mais de 60 países. Em uma entrevista coletiva, o presidente do IIF, Charles Dallara, se disse "cético" em relação à idéia brasileira. "Vejo essa proposta com ceticismo porque, afinal, o equilíbrio fiscal pressupõe escolhas difíceis. Os investimentos em infra-estrutura afetam a dinâmica da dívida". Escolhas difíceis O economista-chefe do IIF, Yusuke Horiguchi, pediu que o FMI e o Banco Mundial examinem com "muito cuidado" o pedido feito pelos países em desenvolvimento. Para ele, a mudança poderia criar sérios problemas para os próprios mercados emergentes que a defendem. O IIF apresentou hoje uma carta que será enviada aos presidentes de Bancos Centrais e ministros da área econômica que vão participar no fim deste mês da reunião de primavera do Banco Mundial e do FMI. Na carta, o instituto propõe um código de conduta para processos de reestruturação de dívidas em países emergentes. Má-fé O assunto ficou muito em evidência nos últimos meses por conta das negociações do governo argentino com o FMI e com investidores privados para reestruturar suas dívidas. Diversos investidores acusaram o governo argentino de estar negociando com má-fé, sem apresentar propostas que de fato encaminhem a uma solução. Na carta assinada pelo presidente Charles Dallara, o IIF diz que "ainda não existem referências claras para a administração de crises, inclusive para a resolução de casos que exigem reestruturação de dívidas”. Falando especificamente do caso argentino, Dallara disse que o FMI está descumprindo seus próprios estatutos, que determinariam que o fundo só pode emprestar recursos para países que estejam negociando "de boa-fé". "Isso ainda não começou", disse Dallara. |
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