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Desempenho externo do Brasil será menos favorável em 2004, diz Fitch
A possível recuperação das principais economias mundiais em 2004 vai beneficiar o Brasil, mas é difícil que o país repita o seu desempenho na área externa no ano que vem, segundo o analista Richard Fox, da agência de avaliação de risco Fitch. "O Brasil foi ajudado por uma série de fatores, como a alta nos preços de commodities, crescimento acelerado na China e a baixa da moeda", lembra o analista. A agência calcula que o superávit comercial brasileiro em 2003 deve chegar a US$ 20 bilhões. Para Fox, as exportações brasileiras em 2004 devem andar em ritmo mais lento, mesmo com a perspectiva de crescimento em mercados importantes como Estados Unidos, Japão, Alemanha e França. O grupo de países, em graus diferentes, tem dado sinais de que a atividade econômica está pegando ritmo, revertendo a tendência de contração econômica. Surpresa No caso da França e da Alemanha, indicadores do segundo trimestre do ano mostram que os dois países cresceram cerca de 0,2% no terceiro trimestre do ano. A economia alemã havia encolhido em 0,2% no trimestre anterior. "O crescimento da economia européia vai surpreender muita gente em 2004", disse o professor Stefan Collignon, da London School of Economics. Collignon explica que a Alemanha, em particular, terá um bom desempenho, impulsionado pela redução dos altos custos trabalhistas do país, ponto que vem sendo atacado pelas reformas adotadas pelo chanceler Gerhard Schröder. O professor da LSE afirma que a busca pelo barateamento da mão-de-obra é uma questão chave por trás do desempenho de países europeus como Alemanha e Itália, estando por trás também das significativas taxas de crescimento alcançadas pela Irlanda. O governo alemão apontou ainda o aumento da demanda dos Estados Unidos por bens alemães, como automóveis, como motor do crescimento experimentado pelo país. Com relação ao Japão, o acadêmico diz que as perspectivas de crescimento também são boas, depois que o Banco Central e o ministério das Finanças do país se acertaram em relação ao nível de independência do banco central japonês. "Com a harmonia entre os dois órgãos, agora há coerência macroeconômica, somada às políticas adotadas para tratar dos maus créditos do sistema bancário", afirmou o professor. O acadêmico diz que, com relação ao bom desempenho da economia americana, restam dúvidas a respeito da sua sustentabilidade, dado o tamanho do déficit fiscal do país, equivalente a 4% do PIB. China Embora reconheça que o crescimento, como regra, favorece todo mundo, Richard Fox lembra que uma parte importante do aumento das exportações brasileiras se deve à intensificação do comércio com a China e, para ele, é improvável que a China sustente as elevadas taxas de crescimento registradas nos últimos anos. As exportações de soja e minério de ferro para a China lideraram o crescimento das vendas brasileiras para o país. O total exportado para a China em 2001 foi de US$ 1,8 bilhão, passando a US$ 2,5 bilhões no ano passado. Somente de janeiro a outubro deste ano, as exportações brasileiras para a China chegaram a US$ 4 bilhões. Mercado interno Para John Bowler, analista de América Latina da Economist Intelligence Unit (EIU), os sinais de recuperação em economias importantes vai beneficiar o Brasil, apesar de isso poder significar, no futuro, que as taxas de juros desses países sejam elevadas, atraindo parte dos investimentos externos que hoje vão para o Brasil. A projeção da EIU para o Brasil em 2004 é de um crescimento de 2,5%. "Acredito que o bom desempenho das economias mundiais pode beneficiar as exportações brasileiras, mas é preciso ter em mente que a demanda interna se manteve baixa neste ano por causa das altas taxas de juros, o que favoreceu as exportações", disse. E, apesar de reconhecer que a demanda chinesa por produtos brasileiros foi importante para o desempenho exportador, Bowler afirma que o mercado europeu é muito relevante para as exportações brasileiras. |
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