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Argentina envia contraproposta ao FMI | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
O governo da Argentina enviou uma contraproposta ao Fundo Monetário Internacional (FMI), respondendo a uma mensagem enviada pelo Fundo ao país na segunda-feira, informou a imprensa local. Nesta terça-feira, vence uma parcela da dívida do país com o organismo multilateral de crédito. Se não pagar no prazo os US$ 3,1 bilhões que deve, a Argentina estará tecnicamente em moratória com o FMI. Na carta que havia sido enviada pelo Fundo à Argentina, o FMI teria mantido exigências como a de que Kirchner assinasse um decreto formalizando a criação de um comitê de bancos. Tal comitê renegociaria o pagamento da moratória argentina de dezembro de 2001, que afetou os credores que investiram nos títulos públicos do país. Segundo o jornal Clarín, a carta argentina rechaça exigências do Fundo de que o país avance nas negociações com seus outros credores. Sem apoio do G-7 No início da noite desta segunda-feira, o presidente argentino, Néstor Kirchner, fez uma reunião com sua mulher, a senadora Cristina Fernández de Kirchner, com o chefe de gabinete da Casa Rosada, Alberto Fernández, e com o ministro da Economia, Roberto Lavagna. Eles teriam avaliado, durante o encontro, a resposta à carta do FMI e ao G-7 (grupo formado dos sete países mais ricos do mundo), que em uma reunião também na segunda-feira não manifestou posição favorável à Argentina. Mais cedo, Lavagna havia telefonado para todos os representantes do G-7, pedindo apoio a segunda revisão do acordo em vigor, assinado em setembro passado. O presidente reiterou que não irá determinar o pagamento da dívida com o FMI, que representa 20% das reservas do Banco Central, caso o Fundo não dê garantias de que a revisão será aprovada e parte do dinheiro devolvido aos cofres do país, como previsto. "Eu já disse tudo o que tinha para dizer sobre este assunto. Não mudei minha decisão", afirmou nesta segunda-feira Kirchner. Difícil previsão Ouvidos pela BBC Brasil, o ex-negociador da dívida argentina Horácio Liendo e o economista Miguel Kiguel, da consultoria Nuverse, afirmaram que é difícil prever se a Argentina pagará ou não o FMI. "Na dúvida, diante da possibilidade de novo calote, o presidente (Luiz Inácio) Lula da Silva preferiu adiar o encontro que teria com Kirchner nesta quarta-feira", disse Liendo. "Não seria bom para o Brasil que Lula estivesse a seu lado um dia depois de nova moratória." Segundo analistas, se não pagar o que deve ao FMI, a Argentina não poderá contrair novos empréstimos com o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) e o Banco Mundial (Bird). Fontes do Fundo afirmaram à BBC Brasil que os países do G-7, cujo apoio é decisivo nas resoluções da organização, já não têm mais a "boa vontade" de antes com a Argentina. |
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