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Atualizado às: 09 de fevereiro, 2004 - 16h12 GMT (14h12 Brasília)
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Para analistas, Argentina pode resistir à pressão do G-7

Roberto Lavagna, ministro da Economia da Argentina
Lavagna se reúne com Köhler nesta segunda
As pressões do G-7 (grupo dos sete países mais ricos do mundo) sobre a Argentina para que apresente novas propostas aos credores privados para reestruturação da dívida de US$ 88 bilhões em bônus estão no centro das atenções do mercados.

Representantes do governo da Argentina e o diretor-gerente do Fundo Monetário Internacional (FMI), Horst Köhler, se encontram em Miami, nesta segunda-feira, e a expectativa é de que o país apresente novas opções para os credores.

Apesar das novas pressões, analistas acreditam que o governo argentino está em uma posição de força e pode resistir, pelo menos por algum tempo. O país só terá necessidade de financiamentos privados para pagamento de dívidas que vencem em 2005 e o próprio G-7 estaria dividido em relação ao tema.

No entanto, a resistência da Argentina poderia reduzir o fluxo de investimentos para o país, afetando o ritmo de crescimento da economia, segundo analistas.

'Endurecimento'

O G-7 pediu à Argentina que negocie de forma "construtiva" com seus credores. Isso está sendo interpretado pelos mercados como pressão para que o governo do país melhore sua proposta de renegociação da dívida que não vem sendo paga desde dezembro de 2001, quando a Argentina entrou em moratória.

A principal mudança seria a posição dos Estados Unidos. O secretário do Tesouro dos EUA, John Snow, argumentou que uma das exigências do FMI é que os países devedores devem negociar "em boa fé" com seus credores.

"O sinal vindo do secretário do Tesouro dos Estados Unidos fica ainda mais importante devido ao fato de que os EUA lideraram a argumentação para a aprovação da primeira revisão do acordo (da Argentina) com o FMI no fim do mês passado", diz o relatório desta segunda-feira do banco de investimentos Dresdner Kleinwort Wasserstein.

Para os analistas do banco, isso significa um "endurecimento" das posições do G-7 e que as próximas quatro semanas – quando o FMI decide se continua a emprestar para a Argentina – serão marcadas por "aumento da incerteza".

A voz de Snow se junta às de Itália, Japão e Grã-Bretanha – os três países do G-7 que votaram contra a liberação de recursos no fim de janeiro –, além da Espanha, que também vinha pressionando o governo da Argentina para que melhore sua oferta aos credores.

Nova proposta

Segundo Justine Thody, analista da Economist Intelligence Unit (EIU, consultoria do mesmo grupo da revista The Economist), existe uma expectativa de que a Argentina apresente nova proposta aos detentores de bônus que não foram pagos desde a moratória.

"Acredita-se que será um menu de opções, entre elas, a de um retorno de pagamentos aos bônus vinculado ao crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) argentino", disse Thody.

O governo da Argentina alega que não poderá pagar mais do que 25% do valor devido, porque o país precisa estimular a economia, crescer e pagar a dívida social.

Por isso, não poderia fazer um superávit primário (resultado das contas públicas que exclui receitas e despesas financeiras) do tamanho que seria necessário para aumentar a sua oferta de reestruturação da dívida.

Essa posição reforça a popularidade do presidente argentino, Néstor Kirchner, considerada crucial para o apoio que ele precisa no Congresso para fazer as reformas de que a Argentina necessita, segundo ela.

'Forte'

Na avaliação dos analistas, o governo argentino está em uma posição de força nas negociações com o FMI e os credores, pelo menos por enquanto.

Kirchner avisou que se, para atender à pressão dos credores, o FMI não aprovar a liberação de US$ 3 bilhões em 9 de março, como estava previsto, a Argentina terá que entrar em moratória com o próprio Fundo.

"O governo da Argentina aposta que o G-7 não está preparado para ver o país entrar em moratória com o Fundo a fim de que o país negocie novos termos com os credores", disse Richard Fox, diretor-sênior da agência de risco Fitch Ratings.

"Uma moratória com o FMI seria ruim para a reputação da Argentina e, para o G-7, significa que eles devem estar preparados para remendar o orçamento da instituição."

Para Justine Thody, o governo da Argentina está mesmo em uma posição de força por dever "tanto dinheiro".

De acordo com os cálculos dos analistas, a Argentina precisará ir aos mercados em busca de novos financiamentos internacionais só em 2005, quando precisará fazer pagamentos de dívida que ainda estão fora da moratória.

Crescimento

Thody considera que o atual crescimento da economia do país pode atrair de investimentos estrangeiros, mesmo se o governo mantiver sua posição dura com os credores.

"Ainda é cedo, mas por enquanto a economia da Argentina está crescendo bem, e os investidores, inclusive o capital argentino que saiu com a crise, vêem isso como oportunidade de investimento enquanto o dinamismo permanecer", disse a analista.

Para Richard Fox, no entanto, a Argentina pode não precisar de recursos a curto prazo, mas necessita de investimentos estrangeiros diretos para crescer.

A falta de acordo com os credores de bônus pode ser interpretada como mais um componente de falta de confiança no governo do país, segundo ele.

Viria a se somar à proibição pelo governo de aumento de preços dos serviços públicos na Argentina. Isso vem sendo interpretado como quebra de contrato com as empresas espanholas que investiram na privatização desses serviços no país, segundo Fox.

"A Argentina pode não receber investimentos que precisa para crescer. Embora o crescimento esteja alto, deve ser visto como uma recuperação depois de acentuada queda", disse Fox.

"O país pode voltar a crescimentos medíocres por não receber investimentos."

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