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Países não estão prontos para negociar, diz OMC
Os países não estão prontos para retomar nesta segunda-feira as negociações para liberalizar o comércio mundial, como tinha sido estabelecido após o fiasco de Cancún, em setembro. Foi a constatação feita nesta manhã pelo diretor-geral da Organização Mundial de Comércio (OMC), Supachai Panitchpakdi, que deixou claras as dificuldades para a elaboração de um novo texto para se tentar reativar a negociação global na OMC. Falando para os 145 países membros, Supachai afirmou que "diferenças persistem em pontos centrais", embora "progressos consideráveis tenham sido feitos em todas as áreas" da negociação. Ao contrário do que estava previsto, a reunião do Conselho Geral, a última do ano, praticamente não tem altos funcionários enviados pelas capitais, numa demonstração política de que o fracasso das negociações que ocorreram nas últimas semanas em Genebra já era esperado. O diretor da OMC diz, porém, estar "encorajado" por numerosas declarações políticas de ministros mostrando confiança no sistema multilateral de comércio. Reunião do G-20 Supachai citou como exemplo o resultado da reunião da semana passada do G-20, grupo liderado pelo Brasil, e da União Européia. "Minha impressão pessoal foi muito positiva, há engajamento genuíno em todas as questões importantes. Houve discussões construtivas, em particular na agricultura. Estou profundamente encorajado que os ministros estão em clima de negociação", afirmou o diretor da OMC. Nesta manhã, o presidente do Conselho Geral da OMC, o embaixador uruguaio Carlos Perez del Castillo, também tentou dar um tom otimista em sua intervenção, mas sempre reconhecendo que quanto mais consultas são feitas, mais claras se tornam as dificuldades. Castillo, em contatos recentes com a imprensa, deixou claro que, sem acordo nesta segunda-feira, certamente a Rodada de Doha atrasaria e não poderia ser concluída em dezembro do ano que vem, como está previsto. Nas quatro questões que foram amplamente discutidas desde o fiasco de Cancún – agricultura, algodão, produtos industriais e as questões de Cingapura (facilitação de comércio, compras governamentais, investimentos e concorrência) –, Castillo diz que pelo menos se sabe agora onde estão os problemas mais urgentes a serem resolvidos. 2004 Sua proposta, que vai ser discutida nesta segunda e terça-feira pelos países, é de que as negociações sejam retomadas em fevereiro nos comitês especiais de negociação. O diretor-geral da OMC propôs que os países tentem chegar a um esboço geral de acordo até marco e definir as modalidades (métodos para alcançar os compromissos) até julho. O problema é que os Estados Unidos e a União Européia, os dois pesos pesados do comércio mundial, dão sinais políticos de apoio à continuação da rodada, mas isso não se traduz em ações concretas nas negociãções. A situação ficará mais complicada em 2004, quando o governo dos Estados Unidos estará concentrado na campanha presidencial, a União Européia vai mudar seus comissários (os ministros) e a Índia também terá eleições parlamentares. Ou seja, será um ano em que países-chaves nas negociações não têm como fazer maiores concessões, sob o risco de perder apoios eleitorais. Nesse contexto, a China, que faz parte do G-20 e é hoje a terceira maior potência importadora do planeta, quer atuar como uma "ponte" entre ricos e pobres nas negociações na OMC. |
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