|
| ||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
G-20 não precisa abandonar ambições, diz Amorim
O ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, disse que o G-20 é forte e unido o suficiente para não precisar abrir mão das suas ambições nas negociações comerciais da área agrícola. "Doha conseguiu um mandato ambicioso em agricultura. Daí a responsabilidade que temos em não permitir que seja desperdiçado em troca de pequenas concessões", afirmou o ministro no discurso de abertura do jantar com as delegações dos países que vieram a Brasília para a reunião do G-20. "Senão teremos que esperar mais 15 anos até que tenha outra rodada", explicou. Apesar das diferenças entre países como o Brasil - com interesse na abertura do setor do agronegócio - e a Índia - que ainda quer uma política mais defensiva nessa área -, Amorim disse que todos os países do G-20 têm os mesmos objetivos. Substância "Todos queremos a eliminação dos subsídios à exportação (praticada por Europa e Estados Unidos), a redução dos subsídios ao apoio doméstico e acesso ao mercado dos países desenvolvidos e ainda queremos a compreensão de que é necessário um tratamento diferenciado para os países em desenvolvimento", afirmou. "Queremos que seja rápido, mas a substância é mais importante do que os prazos." Neste primeiro dia de reunião, ficou claro que nenhum dos presentes acredita em avanços na reunião do Conselho da OMC, entre os dias 15 e 18 deste mês, em Genebra, que deve retomar as negociações que fracassaram em Cancún. Mas todos pediram e prometeram flexibilidade para fazer as negociações andarem.
"Estamos dispostos a flexibilizar. Não agora, mas quando as negociações forem efetivamente retomadas, em janeiro", afirmou o subsecretário-geral de Assuntos Econômicos e Tecnológicos do Itamaraty, Clodoaldo Hugueney, o principal negociador brasileiro na OMC. O diretor-geral da OMC, Supachai Panitchpakdi, disse mais cedo aos jornalistas que iria pedir flexibilidade ao G-20. "Precisamos ver sinais de flexibilidade, ou então nada vai andar em Genebra", afirmou. Respondendo de forma indireta ao diretor-geral da OMC, Amorim disse que o grupo iria trabalhar com flexibilidade, "mas sempre exigindo isso também dos outros". Ironia Mais cedo, o subsecretário-geral de Assuntos Econômicos e Tecnológicos do Itamaraty, Clodoaldo Hugueney, já havia sido irônico ao comentar declarações do comissário para assuntos de Agricultura da União Européia, Pascal Lamy (que chega a Brasília nesta sexta-feira para participar da reunião), que comparou a política agrícola da Índia à da União Européia. "A diferença é que a Índia não gasta mais de US$ 100 bilhões para subsidiar sua agricultura e a União Européia não tem 650 milhões de pessoas praticando agricultura de subsistência", afirmou Hugueney. O ministro do Comércio Exterior do Egito, Yossef Boutros Ghali, pediu para falar depois do discurso de Amorim no início do jantar, e se desmanchou em elogios "à liderança do Brasil e à liderança do ministro Celso Amorim". Participam da reunião os ministros do Brasil, África do Sul, Argentina, Bolívia, Chile, Cuba, Egito, Índia, Nigéria, Paraguai, Tanzânia, Venezuela e Zimbábue, além de representantes dos governos da China, Filipinas, Indonésia, México e Paquistão. Um representante do Equador participa como observador. Na sexta-feira, além da reunião com Lamy, o grupo tem um encontro com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. No fim da tarde, divulga um comunicado com as conclusões do encontro e as reivindicações do grupo para os próximos passos da negociação. |
| ||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||