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Lamy: UE está 'pronta' para relançar rodada de Doha
A União Européia está disposta a resolver as pendências que travam a liberalização do comércio mundial, segundo o comissário do bloco para o Comércio, Pascal Lamy. "Esta maratona de final de ano pretende deixar muito clara a mensagem de que a UE está pronta para concluir as negociações multilaterais", afirmou Lamy, antes de embarcar para Buenos Aires, primeira parada de sua viagem pelos países do Mercosul. "Tivemos uma lição em de setembro, no México, de que ninguém vai conseguir fazer o sistema funcionar se trabalharmos sozinhos", concluiu o comissário. A menos de uma semana para a reunião geral da Organização Mundial do Comércio (OMC) em Genebra, onde será definido se e quando serão retomadas as negociações da Rodada de Doha, interrompidas em Cancún, Lamy vai ao encontro de líderes latino-americanos e participa da ministerial do G-20, em Brasília. Os objetivos da viagem são dois: continuar a aproximação da União Européia (UE) com o Mercosul, e estimular os países do G-20 a contribuir para o relançamento das negociações na OMC. Aparentemente a UE não pretende dar importância exagerada à força G-20. Quando questionado se a sua presença no encontro do grupo em Brasília, nesta semana, não reforçava a imagem do grupo, Lamy respondeu que foi convidado para o encontro e "usaria a oportunidade como um esforço para a retomada da Rodada de Doha". "Vou aos países do Mercosul e ao encontro do G-20 para trocar visões e idéias, afinal, todos devemos contribuir com a retomada do processo." Mais atenção Ao mesmo tempo, as negociações agrícolas, um dos tema mais delicados tratado na OMC, e motivo de debates acalorados entre o G-20 e os Estados Unidos e a Europa, vêm sendo tratadas com mais atenção pela Comissão Européia. O responsável por desenvolvimento agrícola da UE, Tassos Haniotis, apresentou nesta terça-feira a jornalistas o argumento europeu para os subsídios na área. Os subsídios agrícolas europeus são combatidos tanto pelos países do G-20, quanto pelo Mercosul, em processo de negociação de um acordo de livre comércio com a UE. "Reduzir os subsídios agrícolas europeus não significa necessariamente aumentar os lucros de países exportadores no setor", afirmou Haniotis. De acordo com o especialista, os preços dos produtos no mercado internacional não são necessariamente ligados aos subsídios, ou pelo menos, não apenas a eles. Dessa forma, para alguns países como o Brasil e a Índia, a queda dos subsídios pode significar perda, e não aumento nas suas exportações. "Eventualmente pode-se exportar mais, mas com um lucro menor, pois não haverá no mercado um valor médio, assegurado pelos subsídios", explicou Haniotis. Retomada das negociações A reunião do dia 15 de dezembro em Genebra, como afirma o porta-voz da OMC, Josep Bosch, poderá ser concluída com a decisão conjunta dos países membros em retomar as negociações multilaterias, ou com a decisão de postergar o programa de trabalho. "A UE tem como sua prioridade as discussões junto à OMC. Se ficar claro, no dia 15, que alguns países não concordam com a retomada, vamos trabalhar de forma plurilateral, com aqueles que estão interessados. O importante é não interromper por mais tempo as negociações", colocou Lamy. Lamy se encontrará com o presidente da Argentina, Néstor Kichner, nesta quinta-feira. No dia seguinte, o comissário chegará ao Brasil, encontrará o presidente Lula e o ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, além de participar do encontro ministerial do G-20. No sábado, Lamy voará para o Paraguai, e na segunda e terça-feira estará no Uruguai, onde participará como convidado do encontro de líderes de Estado dos países do Mercosul. |
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