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Atualizado às: 08 de dezembro, 2003 - 16h58 GMT (14h58 Brasília)
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Presidente da CUT defende renegociação da dívida com FMI

Luiz Marinho, presidente da CUT
Luiz Marinho deu entrevista a correspondentes estrangeiros

O presidente da Central Única dos Trabalhadores (CUT), Luiz Marinho, defendeu a renegociação da dívida brasileira com o Fundo Monetário Internacional (FMI), com a redução da meta do superávit para aumentar os investimentos públicos em infra-estrutura.

“O presidente Lula não deveria assinar este acordo e deveria chamar o FMI para rediscutir os termos”, afirmou Marinho nesta segunda-feira, em São Paulo, em entrevista a correspondentes estrangeiros.

O contrato de renovação do empréstimo, pré-aprovado pelo governo brasileiro, deve ser submetido nesta semana à aprovação dos diretores do fundo.

O presidente da CUT criticou a manutenção da meta do superávit primário de 4,25% – a parcela da arrecadação que não é gasta e é usada para pagar os juros da dívida.

“O Brasil tem cacife para fazer um acordo melhor – 4,25% é um exagero, deixa o país incapacitado de fazer investimentos”, afirmou, lembrando que a Argentina fez um acordo prometendo superávit de 3%.

Mudança de perfil

“Temos que mudar o perfil de pagamento de dívida para que o país retome mais facilmente sua capacidade de investimento”, afirmou o presidente da CUT.

Marinho disse que não chegou a fazer a proposta “diretamente” ao presidente. “Estamos fazendo essa discussão em público”, justificou.

Ele lembrou que o governo chegou a anunciar a possibilidade de dispensar um novo acordo com o FMI, mas acabou renovando o compromisso nos mesmos termos do anterior. “Um governo que fala em renovar, quando renova espera-se que o faça em condições vantajosas.”

A liberação de recursos para o investimento em infra-estrutura é essencial, na avaliação dele, para que o país possa sustentar o crescimento dos próximos anos.

“Senão logo teremos que segurar a economia porque não temos energia para crescer”, criticou. “Há também necessidade de ter investimento em saneamento básico, em estradas, em portos.”

Primeiro ano

Numa avaliação do primeiro ano do governo Lula, Marinho fez uma análise positiva das medidas tomadas nos primeiros meses, mas criticou a demora no “afrouxamento das rédeas” no aperto fiscal e na redução dos juros.

“O governo fez o que dava para fazer no início, especialmente na economia. Mas agora há um excesso de conservadorismo no Ministério da Fazenda”, afirmou.

Ele disse ter certeza de que a economia cresce em 2004, mas que não espera uma redução do desemprego antes do segundo semestre.

“Primeiro vai ter a ocupação da capacidade ociosa, que é grande, depois o aumento das horas extras e só depois vêm as novas contratações”, afirmou.

Para minimizar o impacto do desemprego elevado, Marinho disse que a CUT propôs ao governo um plano para contratações emergenciais para obras públicas. “O governo ficou de estudar”, contou.

Apesar da esperada redução do desemprego no segundo semestre, ele prevê o “aumento dos conflitos entre capital e trabalho”, com aumento das greves por aumento de salários, especialmente com a corrosão do poder de compra por causa do período de inflação elevada entre meados do ano passado e meados deste ano.

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