|
| ||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
Brasil ainda precisa do FMI, dizem analistas
"O Brasil está saindo da sala de emergência. Ainda não é o momento de cantar vitória nem de dizer que o país pode caminhar sozinho." Essa é a opinião do economista-chefe para Mercados Emergentes do Banco ABN AMRO, Arturo Porzekanski, para quem o Brasil precisava continuar a trabalhar com o Fundo Monetário Internacional (FMI) – como foi anunciado nesta terça-feira pelo secretário do Tesouro Nacional, Joaquim Levy. "Seja pelo ponto de vista psicológico ou do financeiro, o Brasil precisava desse acordo." Em entrevista à BBC Brasil, Porzekanski lembrou que a situação no Brasil há cerca de um ano era muito incerta. "Parecia o fim do mundo, a saída de capital foi enorme." Além disso, o economista destaca que o montante a ser pago de volta ao FMI pelo Brasil nos próximos anos é de US$ 30 bilhões e que um novo acordo com o fundo pode adiar esses vencimentos ou fornecer parte dos recursos necessários para esses pagamentos. Rolagem O acordo de US$ 30 bilhões com o FMI foi fechado pela administração de Fernando Henrique Cardoso em agosto de 2002, e vence em dezembro. Na ocasião, o então candidato Luiz Inácio Lula da Silva apoiou o pacote. Com um novo acordo, o Brasil poderá, provavelmente, rolar dívidas com o FMI. O diretor-executivo da agência internacional de classificação de risco Fitch Brasil, Rafael Guedes, também interpretou o provável acordo como um sinal de cautela do governo brasileiro. "As reservas cambiais líquidas do país de US$ 18 bilhões são modestas para enfrentar o volume de vencimentos que giram em torno de US$ 35 bilhões", afirmou Guedes à BBC Brasil. "Em um momento como o atual, em que estamos em velocidade de cruzeiro sem nenhuma onda, não haveria necessidade de um acordo. É como uma apólice de seguro: caso haja um choque externo ou mesmo interno, que venha a influenciar a confiança do investidor externo, o país precisa desse seguro." Número 2 Os termos do novo acordo ainda não foram definidos, e a vice-presidente do FMI, Anne Krueger, vai ao Brasil ainda nesta semana para encabeçar as negociações. Para os analistas, por já ser esperado, o anúncio de acordo não deve provocar grandes mudanças na economia brasileira. "Só teríamos problemas se saísse a notícia de que o Brasil não vai fechar um acordo com o FMI. Existe algum risco pequeno de isso acontecer, mas as conversas estão na direção certa", afirmou o economista-chefe para Mercados Emergentes do ABN Amro. Na opinião de Rafael Guedes, da Fitch, falta conhecer os detalhes do acordo para que se possa fazer uma análise mais aprofundada do impacto que ele trará para o Brasil nos mercados. Ainda assim, o economista arrisca uma metáfora otimista para resumir os acontecimentos até o momento: "É como o caso dos Três Porquinhos, mesmo que o Lobo Mau venha a soprar contra a casa, você tem uma casa mais sólida." |
| ||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||