BBCBrasil.com
70 anos 1938-2008
Español
Português para a África
Árabe
Chinês
Russo
Inglês
Outras línguas
Atualizado às: 07 de novembro, 2003 - 01h19 GMT (23h19 Brasília)
Envie por e-mailVersão para impressão
Associar acordo a crescimento é estratégia política, diz analista

O ministro da Fazenda, Antonio Palocci e a vice-diretora gerente do FMI, Anne Krüger
O ministro Palocci e a vice-diretora gerente do FMI, Anne Krüger

A estratégia do governo de vincular o novo acordo com o Fundo Monetário Internacional (FMI) ao futuro crescimento da economia brasileira é uma estratégia para reduzir os custos políticos do acerto, diz Nuno Câmara, do Banco Dresdner.

Os integrantes do governo têm tentado fazer essa associação.

Nesta quinta-feira, por exemplo, o ministro da Fazenda, Antonio Palocci, disse, durante uma entrevista à Rede Globo, que o mais importante a respeito do novo acordo é que ele está sendo construído num ambiente de estabilidade econômica. "O mais importante é que nós, pela primeira vez, conseguimos construir um acordo baseado em crescimento", afirmou o ministro.

"Na verdade, o que acontece é que você tem um custo político ao renovar o acordo. Você tem que vender o acordo para uma camada política que vai se opor a ele naturalmente. O importante é tentar deixar o acordo mais positivo aos olhos dos políticos", diz Nuno Câmara.

Percepção

Para o analista do Banco Dresdner, a contribuição que o acordo dá ao futuro crescimento da economia é o fortalecimento da tranquilidade do mercado, reforçando a percepção positiva do país.

"O crescimento virá não (pelas condições) que foram negociadas, mas pelo fortalecimento da credibilidade do país", diz ele.

Ele lembra que uma das bases do acordo, a meta de superávit primário de 4,25% do PIB (Produto Interno Bruto) foi resultado de uma decisão do governo brasileiro, que preferiu ir além da meta acordada anteriormente com o Fundo.

E, na prática, a manutenção de uma política fiscal tão apertada e de taxas de juros tão altas não dão espaço para crescimento no curto prazo.

Isso ocorre não por causa do FMI, lembra o analista, mas porque o nível de endividamento do Brasil ainda é elevado, o que abala a confiança do investidor.

"Impacto marginal"

Câmara acrescenta que a possibilidade de investir os cerca de R$ 2,9 bilhões economizados neste ano em projetos de saneamento no ano que vem, sem que isso seja contabilizado na conta do superávit primário, não terá muito impacto em termos de crescimento, ao contrário do que diz o governo.

"Levando-se em consideração o tamanho da economia brasileira, o impacto desse investimento é marginal", disse ele.

Para Câmara, em última análise o que produzirá crescimento econômico será a manutenção de uma política macroeconômica austera ao longo do tempo, garantindo a entrada de recursos externos e permitindo, no longo prazo, a redução da taxa de juros.

Com isso, não só o custo do dinheiro no mercado interno ficaria mais baixo, facilitando o acesso ao crédito, como o governo também precisará de menos recursos para fazer frente à conta de juros, que cresce de acordo com o nível da taxa de juros.

"O processo de retomada do crescimento econômico é sempre demorado", disse ele.

Para Câmara, o sinal emitido pela renovação do acordo do Brasil com o FMI, no entanto, é muito positivo.

Posição confortável

O fato de que o Brasil não precisa desses recursos faz muita diferença, diz ele, mostrando que o país está numa posição confortável, difente do que aconteceu no ano passado, quando o acordo anterior foi acertado em meio a uma crise de credibilidade.

"Isso (a disponibilidade de recursos) faz com que o governo, no futuro, não tenha que usar medidas fortes para se defender de choques externos, já que há uma disponibilidade de caixa já negociada com o Fundo" , afirmou o analista.

Liz Schineller, da agência de classificação de risco Moodys, concorda com Câmara.

Para ela, avanços na regulamentação de setores importantes da economia, como o de telecomunicações de de energia elétrica, podem servir de estímulo para a economia brasileira, apesar da apertada política fiscal, que reduz a margem de manobra do governo em termos de investimento.

"Além desse avanço, a clareza em relação às propostas do governo e do Congresso em relação a esses temas é muito importante para dar ao mercado previsibilidade e confiança ao investidor".

Ela lembra que a possibilidade de crescimento sustentado no futuro passa pela consolidação desses setores.

Na medida em que o país começa a crescer, aumenta a demanda por energia e por serviços na área de comunicação.

Se a estrutura desses setores encontra dificuldade em se expandir, a expansão da economia também encontra obstáculos, diz Schineller.

NOTÍCIAS RELACIONADAS
LINKS EXTERNOS
A BBC não se responsabiliza pelo conteúdo dos links externos indicados.
ÚLTIMAS NOTÍCIAS
Envie por e-mailVersão para impressão
Tempo|Sobre a BBC|Expediente|Newsletter
BBC Copyright Logo^^ Início da página
Primeira Página|Ciência & Saúde|Cultura & Entretenimento|Vídeo & Áudio|Fotos|Especial|Interatividade|Aprenda inglês
BBC News >> | BBC Sport >> | BBC Weather >> | BBC World Service >> | BBC Languages >>
Ajuda|Fale com a gente|Notícias em 32 línguas|Privacidade