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Em dois anos, investimento direto no Brasil cairá pela metade, prevê Wall Street
Comparado aos demais grandes países emergentes, com os quais compete por mercados e investimentos, em 2004 o Brasil estará numa posição intermediária, de acordo com previsões feitas por Wall Street. Em termos de investimento externo direto, o Brasil deverá receber entre US$ 8 bilhões e US$ 10 bilhões no ano que vem, atrás da China, campeã mundial na "modalidade", que deverá receber US$ 30 bilhões, e do México, que deverá receber US$ 15 bilhões. O país, no entanto, deverá ficar à frente da Índia, uma das principais economias emergentes e que deverá receber entre US$ 4 bilhões a US$ 5 bilhões em 2004, segundo Vitali Meschoulam, diretor para América Latina do Eurasia Group, empresa de consultoria especializada em economias emergentes. No ano passado, o Brasil recebeu US$ 16 bilhões em investimentos externos diretos, praticamente a metade do que recebia no final dos anos 90, quando, atraídas pelas privatizações, empresas estrangeiras chegaram a colocar US$ 30 bilhões anuais no país. Cobiçado O investimento externo direto é o mais cobiçado dos capitais, porque, ao contrário dos dólares que entram e saem diariamente do mercado financeiro, vai direto para a produção, ficando no país que o recebe. Mas a diminuição do volume de investimentos diretos não ocorreu somente no caso do Brasil. De fato, o fenômeno atingiu vários países emergentes e é tido como uma decorrência da retração econômica mundial. A China, por exemplo, recebeu investimentos diretos anuais de US$ 50 bilhões na década de 90, valor significativamente maior do que os US$ 30 bilhões que deverá receber em 2004, segundo as previsões de Wall Street. Em relação ao Brasil, a China oferece aos seus investidores uma mão-de-obra barata para o setor de manufaturas. Já o México, além da mão-de-obra, conta uma vantagem competitiva inigualável, a sua proximidade em relação aos Estados Unidos. De acordo com Thomas Trebat, diretor de análise econômica e de mercado do Citigroup, comparada ao Brasil, "a China é muito mais aberta à economia global". "O Brasil ainda está distante disso." "Além disso, o Brasil ainda atravessa uma fase de absorção de todo o investimento que foi feito no país no final dos anos 90", acrescentou. Para os analistas de mercado, o modelo que o governo brasileiro tem proposto para a regulação de setores como o elétrico tem inibido novos investimentos. Empecilhos "A tendência é que esses investimentos voltem, desde que o governo tenha um modelo mais articulado para o setor elétrico", afirma Vitali Meschoulam, diretor para América Latina do Eurasia Group. "O problema é que hoje não existe coordenação entre as várias agências que o regulamentam." Outro empecilho aos investimentos externos seriam as dificuldades que o governo brasileiro tem encontrado para aprovar a reforma fiscal. Para José Maria Pupo, da consultoria PricewaterhouseCoopers, para se tornar mais competitivo, o Brasil precisa mudar o foco da reforma. "A reforma fiscal que está sendo debatida no Congresso precisa se focar no setor produtivo e não na maneira mais fácil de o governo arrecadar mais e mais rápido", disse. Argentina Entre os países latino-americanos, a Argentina, que tem dados sinais consistentes de recuperação econômica, ainda permanece uma incógnita em termos de investimentos externos de longo prazo. O país, que deve crescer cerca de 5% em 2004, ainda não reestruturou sua dívida externa após a moratória de US$ 120 bilhões no começo de 2001. "O presidente Néstor Kirchner tem sido bastante hábil politicamente, mas há sérios desafios no seu caminho, como a definição sobre o aumento das tarifas públicas e a própria política macroeconômica do país", disse Meschoulan. "Enquanto este cenário não for resolvido, a Argentina não representará um competidor importante para o Brasil em termos de investimento externo." Nesse quesito, a Índia, cuja economia tem crescido de maneira sustentada na última década, não tem atraído investimento direto externo na mesma proporção que as demais "potências emergentes", como China, México e Brasil. Isso acontece porque a grande vantagem competitiva indiana não reside no setor de manufaturas, como é o caso daqueles três países. Contando com uma mão-de-obra tão numerosa quanto qualificada em setores como o de alta tecnologia, com o adicional de ter o inglês como sua segunda língua nacional, a Índia representa um grande oponente a indústrias latino-americanas de software e de serviços que possam ser prestados remotamente, como "call centers". Comparada ao Brasil, que deve crescer entre 2,5% a 4%, a economia indiana deverá continuar seu crescimento ao redor de 7% em 2004. |
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