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Atualizado às: 11 de novembro, 2003 - 23h02 GMT (21h02 Brasília)
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Sanções da UE contra EUA beneficiariam Brasil, diz diplomata

siderúrgica européia
Siderúrgicas na Europa foram afetadas pelas sobretaxas dos EUA

As sanções européias contra as barreiras norte-americanas sobre o aço importado beneficiariam o mercado siderúrgico brasileiro a médio e longo prazo, segundo um diplomata brasileiro.

"Sempre que um país faz uma retaliação comercial contra outro, cria-se espaço no mercado para um terceiro 'player'. Deve-se levar em conta, porém, que as retaliações da União Européia (UE) contra os Estados Unidos são bastante brandas, então os resultados surgirão a médio e longo prazo", afirmou à BBC Brasil uma fonte diplomática da embaixada brasileira em Bruxelas.

O diretor técnico do Instituto Brasileiro de Siderurgia (IBS), Rudolf Buhler, concorda com a análise.

"A UE tem muito mais poder e força para fazer uma retaliação contra os EUA. O Brasil agindo sozinho, criaria uma pressão inexpressiva. Institucionalmente, o país sai ganhando desde já. A longo prazo, esse tipo de pressão deverá derrubar as barreiras norte-americanas. Aí então o Brasil passará a ser beneficiado diretamente", explicou Buhler.

China

Os Estados Unidos representam o maior mercado para as exportações da siderurgia nacional.

Em 2002, o Brasil exportou US$ 2,9 bilhões em produtos de aço semi-acabados, ou seja, placas e laminados planos.

Deste total, 25% foram em vendas para os EUA.

Neste ano, as exportações siderúrgicas brasileiras devem alcançar a cifra de US$ 3,6 bilhões.

"O aumento considerável se refere à entrada forte no mercado chinês", disse o diretor do IBS.

De acordo com Arancha González, porta-voz do comissário europeu para o Comércio, Pascal Lamy, as sanções européias contra os EUA passarão a vigorar em cerca de 35 dias, caso o governo norte-americano não mude o seu posicionamento.

Sanções

Após a condenação pela Organização Mundial do Comércio (OMC), na segunda-feira, das barreiras do país contra a exportação do aço, o governo norte-americano tem 30 dias para se pronunciar.

Depois desse prazo, a UE deve esperar ainda cinco dias antes de pôr as sanções em prática.

Além da salvaguarda ligada ao aço, a UE anunciou recentemente retaliações contra as chamadas sociedades de venda no estrangeiro (FSC - sigla em inglês), que são subsídios aos exportadores norte-americanos. Na visão européia, essas vantagens distorcem os preços no mercado internacional.

As sanções da UE neste caso abrangem uma lista de mais de 90 produtos dos mais diversos setores, incluindo alumínio, armamentos, produtos agrícolas e químicos.

Alguns destes produtos, como açúcar, algodão e óleo, são de grande interesse comercial para o Brasil.

"Estamos aguardando a lista oficial, que sairá em alguns dias, para entender o quanto a retaliação poderá beneficiar o mercado nacional", informou a embaixada brasileira em Bruxelas.

Neste caso, as sanções européias seriam impostas a partir de março de 2004, se os Estados Unidos não mudarem a sua posição.

"A partir de 1º de março, será cobrado 5% como taxa tarifária sobre todos esses produtos. Depois, a cada mês, durante um ano, a taxa será aumentada em 1%, até atingir 17%", explicou González.

"Mesmo com esse tipo de ação, levará algum tempo até o mercado brasileiro sentir os efeitos da retaliação européia sobre as importações norte-americanas, não será uma mudança imediata", disse o funcionário da embaixada.

"O comércio mundial é muito bem organizado, ele não perde a estabilidade tão rapidamente. Além disso, a Europa está fazendo as retaliações com muito cuidado para não arruinar a sua relação com os EUA, que, afinal, são o seu maior parceiro comercial", acrescentou.

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