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Aumento da tarifa sobre aço importado se volta contra Bush
A imposição de tarifas sobre aço importado, que deveria resultar em apoio dos estados do meio oeste ao presidente George W. Bush, acabou tendo o efeito contrário. Os consumidores de aço americanos dizem que estão se sentindo pressionados, relata Stephen Evans, correspondente da BBC nos Estados Unidos. As tarifas permitiram que os produtores de aço americanos aumentassem os preços do produto, porque seus concorrentes importados ficaram mais caros, e os preços mais altos significaram custos mais elevados para uma série de empresas. Essas tarifas prejudicam o aço brasileiro e são objeto de queixa do Brasil na Organização Mundial do Comércio (OMC). Portas fechadas Jim Zawacki, presidente da GR Spring and Stamping, em Grand Rapids, Michigan, disse que seus custos subiram 40%. "Meus preços subiram. Meus lucros caíram. No meu ramo, muitas empresas estão fechando. Quatro empresas de laminação fecharam suas portas desde que as tarifas entraram em vigor", disse. O que parecia ser uma ótima idéia na época pode passar a assombrar políticos na hora das eleições. Bush impôs uma tarifa de até 30% sobre a importação de alguns tipos de aço há um ano e meio. O governo, sintonizado com os produtores domésticos, afirmou que os concorrentes estrangeiros estavam vendendo aço no país de forma injusta, a preços abaixo do custo. Reclamações Os fabricantes de aço americano pediram proteção para se reorganizar e lutar contra os estrangeiros. Poucos fora dos Estados Unidos concordaram com a medida. Quando as reclamações globais chegaram a um nível oficial, a OMC se alinhou com a União Européia, cujos produtores de aço queixaram-se em alto e bom som. Agora, porém, está emergindo uma oposição potencialmente mais danosa às tarifas - pelo menos mais danosa para o presidente Bush. Tome-se o caso da Morgal Machine Tool Comapany em Springfield, Ohio, que dispensou trabalhadores por causa das tarifas. Ela faz polias e rodas dentadas, mas não da mesma maneira que antes. Antes das tarifas, ela importava aço para os Estados Unidos e o processava. Agora, ela importa para o Canadá e processa o aço lá, de acordo com Jim McGregor, que dirige a empresa. "Quando o carregamento chega aos Estados Unidos vindo do Canadá, não há tarifa de 30% sobre o aço", explicou. A medida que tinha como objetivo proteger empregos e negócios nos Estados Unidos está, na verdade, destruindo empregos e empurrando empresas para fora do país. A comissão de comércio internacional dos Estados Unidos calcula que as tarifas reduziram os ganhos das empresas que consomem aço muito mais do que aumentou a renda dos fabricantes de aço. Custo político Gary Hufbauer, do Instituto de Economia Internacional, em Washington, afirma que mais empregos foram perdidos em empresas que usam aço do que foram mantidos em fabricantes de aço, que, de maneira geral, empregam menos gente. Os fabricantes de aço respondem que essa conta de empregos mantidos menos empregos perdidos passa por cima do verdadeiro significado das tarifas. Segundo os fabricantes, elas têm o objetivo de dar à indústria do aço tempo para se reorganizar. De acordo com eles, os três anos nos quais as tarifas vão vigorar ainda são necessários. Mas Bush agora está sob pressão. A União Européia está ameaçando retaliar, tendo como alvo empresas americanas localizadas em distritos que são importantes para os objetivos eleitorais de Bush em 2004. E os consumidores de aço têm uma campanha de publicidade muito eficiente a caminho. Está claro que a imposição de tarifas terá um alto custo para a política americana. |
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