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Atualizado às: 22 de outubro, 2003 - 19h05 GMT (17h05 Brasília)
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Não existe Alca sem Brasil, diz especialista americano

Agricutlores em lavoura
Agricultura é um dos principais empecilhos em negociações

A Área de Livre Comércio das Américas (Alca) não poderá ser formada sem a participação do Brasil, na avaliação de Peter Hakim, presidente do Inter American Dialogue, influente centro de pesquisas baseado em Washington.

"Não há Alca sem o Brasil. Pode ser que formalmente se tenha uma Alca com 33 países em vez de 34, mas sem o Brasil realmente não é Alca", disse Hakim à BBC Brasil.

"O Brasil é um dos países mais importantes do Hemisfério. Ter um acordo de livre comércio para as Américas sem o país que ocupa um terço ou um quarto da superfície do hemisfério não é um acordo", acrescentou.

Na terça-feira, o embaixador americano Peter Allgeier - que divide a presidência da Alca com o embaixador brasileiro Adhemar Bahadian - disse que a Alca existirá com ou sem o Brasil.

Valor

Na avaliação de Hakim, os Estados Unidos não estão fazendo uma ameaça, mas provavelmente estão dizendo que querem prosseguir as negociações e, no final, fechar o acordo com os países que querem.

"Vai sair um acordo, porque os Estados Unidos estão dispostos a prosseguir, pode se chamar Alca ou outra coisa", disse.

"Mas acho que isso é um equívoco, porque um acordo sem o Brasil não vale nem a metade do que valeria um acordo que incluísse o Brasil. É um animal de outra cor."

Hakim argumenta, porém, que Brasil e Estados Unidos estão sendo "intransigentes" e, para ele, os dois se beneficiariam se se abrissem um pouco mais.

"Nós, consumidores, produtores, cidadãos americanos, sofremos por causa da proteção existente. O protecionismo beneficia certos setores pequenos, mas não o país", disse.

Pragmatismo

Para o presidente do Inter American Dialogue, a questão do comércio não se resolve com princípios, e há maneiras "maneiras pragmáticas" de resolver problemas específicos.

Na sua opinião, o Brasil tem que negociar e, no final, fazer uma avaliação correta do acordo para ver se vai ou não beneficiar o país.

"Se há um acordo que deixa o Brasil melhor, talvez não seja o ideal, mas se melhora a situação econômica e cria caminhos para uma maior abertura futura, talvez seja melhor prosseguir, em vez de esperar o acordo perfeito", disse.

"Quando alguém quer comprar um carro, quer pagar o menor preço e o vendedor quer um preço muito maior. Então é preciso negociar, ceder, encontrar pontos médios", recomendou.

Liderança

Hakim também defende que o Brasil tenha uma "atitude mais positiva" nas negociações comerciais tanto na Alca quanto na Organização Mundial do Comércio (OMC).

Segundo ele, o Brasil tem que abandonar preconceitos ideológicos e negociar com os Estados Unidos.

Ele argumenta que todas as negociações de comércio internacional são difíceis, especialmente as da OMC que envolvem 148 países.

No entanto, na sua avaliação, os países que propuserem soluções para os principais obstáculos são aqueles que vão assumir a liderança do processo.

"O melhor não é sair das negociações se não conseguir o que quer, porque ninguém pode conseguir tudo. Há certos obstáculos em qualquer negociação e o Brasil, como Estados Unidos, Europa e os países importantes, têm que tratar de resolver esses bloqueios", disse.

G-20

Segundo Hakim, a grande maioria dos países quer um acordo de livre comércio multilateral, aprofundando o sistema da OMC e, por isso, é preciso buscar alternativas para romper o bloqueio.

Para isso, ele defende que países como os Estados Unidos e o Brasil sejam mais flexíveis.

O presidente do Inter American Dialogue dá como exemplo a decisão dos EUA de não fecharem um acordo com um grupo de países africanos - Benin, Burkina Fasso, Chade e Mali - que defendiam o fim dos subsídios ao algodão na reunião da OMC em Cancún, em setembro.

"A questão do algodão podia ter sido resolvida com quatro países pobres africanos. Daria uma vantagem moral aos Estados Unidos se tivesse tomado essa iniciativa", disse.

"Se o Brasil tivesse cedido um pouco mais na área de tarifas também teria ganhado essa vantagem. No final todos os países terão que ceder."

Hakim acha que o G-20 - grupo de países em desenvolvimento liderado pelo Brasil - poderia ter sido algo positivo.

Ele observa que o Brasil fez propostas construtivas em Cancún, mas no final, o grupo não pode ser avaliado por ter ou não aumentado a força dos países em desenvolvimento.

"É impossível falar de ganhadores e perdedores sem ter um acordo e terminar sem acordo significa que todos perdem", disse.

Para que se dissesse que o G-20 funcionou bem, era preciso ter encontrado uma solução nas negociações da OMC, o que até agora não aconteceu, segundo Hakim.

Por isso ele acha que o grupo não está funcionando bem.

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