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Fracassa a conferência da OMC em Cancún
A reunião ministerial da Organização Mundial do Comércio (OMC) em Cancún acabou em pandemônio na tarde deste domingo. Uma delegação do bloco dos países menos desenvolvidos da África, Caribe e do Pacífico (ACP) decidiu abandonar a conferência em protesto contra a recusa da União Européia em retirar os chamados temas de Cingapura do texto da declaração que vinha sendo negociada desde a tarde de sábado. O bloco de 92 países – 61 deles membros da OMC é formado pela ACP, da União Africana e do grupo de Países Menos Desenvolvidos (LDCs). "Por que estão chamando a rodada de rodada de desenvolvimento, se estamos discutindo temas do interesse dos países ricos antes?", perguntava um delegado de Uganda que anunciou a saída do bloco da reunião às 16h (horário local). Culpa Um enxame de jornalistas cercava os delegados que anunciavam o fim da reunião de meio de caminho, convocada para definir prazos e critérios para a discussão da agenda de liberalização do comércio da rodada aprovada em Doha, em 2001, enquanto era interrompida uma entrevista coletiva da vice-secretária de Comércio dos Estados Unidos, Josette Shiver. Imediatamente, um grupo de ativistas e integrantes de ONGs que militam pelo fim da OMC, começou a comemorar nos corredores do térreo do centro de convenções de Cancún, onde, durante a conferência, funcionam o centro de imprensa, estúdios de rádio e televisão e uma cantina. "Nós ganhamos, nós ganhamos", gritava o grupo animado de cerca de 30 pessoas. Os delegados que anunciaram a decisão e ONGs estão responsabilizando a intransigência dos Estados Unidos e da União Européia pelo fracasso da segunda conferência da OMC em quatros anos (o primeiro foi o da reunião de Seattle, em 1999, que fracassou em lançar a atual rodada de liberalização do comércio). "Os países ricos chegaram aqui com a agenda de sempre, querendo defender os interesses dos países industrializados. Mas existe uma nova dinâmica na OMC, muito mais unidade dos países em desenvolvimento, clareza e firmeza de objetivos, o que eles precisam e exigem do sistema internacional de comércio", diz Michael Bailey, estrategista da ONG britânica Oxfam. "A União Européia seguiu insistindo nos temas de Cingapura até o final. E agora resta aos países ricos refletir mesmo em relação à nova realidade da OMC", afirmou. Bola no campo adversário Barry Coates, presidente da ONG World Development Movement, fez questão de ressaltar, que na verdade, o bloco dos países liderados pela ACP, deu um prazo para que os temas de Cingapura fossem abandonados. "Eles não deixaram a reunião ou abandonaram o processo. O que houve foi um impasse incontornável e a possibilidade de acordo fracassou." Em algumas das entrevistas, os delegados que deixaram a reunião,colocaram a culpa na Coréia do Sul, que teria recusado a retirada dos chamados temas de Cingapura da pauta de negociações. Tampouco foi suficiente para que os países da ACP mudassem de posição a promessa da União Européia, feita em uma reunião restrita de oito países, na qual o Brasil estava presente, de desistir de lançar a negociação de três das quatro temas de Cingapura, deixando de lado a criação de regras da OMC para políticas de investimento, de competição e regras para transparência de compras governamentais. |
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