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Consumo só crescerá por causa de aumento salarial, diz analista
Duas medidas anunciadas nesta quarta-feira – a redução de 2 pontos, para 20% ao ano, na taxa básica de juros e o programa de crédito para trabalhadores para a compra de eletrodomésticos – têm o objetivo de aquecer a economia até o fim do ano. Na avaliação do economista Luiz Suzigan, economista-chefe da consultoria LCA, no entanto, o fator mais importante para a melhora da economia a curto prazo é a recomposição dos salários, corroídos pela inflação elevada do fim do ano passado e primeira metade deste ano. "Essas medidas são importantes, mas elas não teriam eficácia se não fosse o aumento dos salários, porque se não houver renda disponível não adianta ter crédito", afirmou Suzigan. Categorias importantes e numerosas – como metalúrgicos, bancários e petroleiros – têm reajustes salariais nos próximos meses e devem ter aumentos nominais de até 16%. Consumo Como a inflação atual é inferior a isso – a perda já aconteceu nos primeiros meses deste ano – o aumento real dos salários deve ir para o consumo. "Como o consumo está muito deprimido, qualquer medida de descompressão deve melhorar as vendas nos próximos meses", afirma o economista Luiz Suzigan, economista-chefe da consultoria LCA. A redução continuada dos juros deve ter efeito a médio e longo prazo, permitindo um crescimento maior da economia no próximo ano e a retomada dos investimentos. Por enquanto, o aumento das vendas deve apenas servir para desovar os elevados estoques tanto da indústria como das lojas. Na avaliação da LCA, depois da queda de 26,5% para 20% em apenas quatro meses, o ritmo de redução da taxa de juros deve ser mais lento. Ele acredita que a melhora das vendas no varejo pode provocar um repique na inflação nos próximos meses e levar o Banco Central a agir com mais cautela, reduzindo os juros em apenas 0,5 ponto percentual de cada vez nos próximos meses. Ele não acredita, no entanto, numa volta da inflação em níveis preocupantes. O corte de 2 pontos percentuais decidido nesta quarta-feira pelo Comitê de Política Monetária (Copom) estava na média das expectativas do mercado. Reclamações No setor produtivo, no entanto, houve reclamações. O presidente da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), Horácio Lafer Piva, considerou a queda muito baixa. "Esperávamos uma redução de pelo menos 2,5 pontos percentuais", afirmou, em nota oficial. Piva acha que, com o desemprego em 13%, a redução de apenas 2 pontos é insuficiente para interferir na confiança e nas decisões de consumo e investimento e vai retardar ainda mais a recuperação da economia. O programa de incentivos à compra de eletrodomésticos anunciado pelo governo federal prevê o desconto das prestações na folha de pagamento, em troca de uma taxa de juros menor, entre 2% e 4%, de acordo com o Banco do Brasil. A garantia de pagamento deve reduzir a inadimplência e os custos da operação. Mesmo com o novo programa de crédito, o presidente da Associação Nacional dos Fabricantes de Produtos Eletroeletrônicos (Eletros), Paulo Saab, prevê uma queda de 4% nas vendas do setor este ano. Em troca, as indústrias se comprometeram a não demitir funcionários. |
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