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Analistas acham 'conservadora' queda dos juros
A redução de 1,5 ponto percentual na taxa Selic do Banco Central (BC), que caiu de 26% ao ano para 24,5%, foi considerada conservadora por economistas e analistas do mercado financeiro e até pela Confederação Única dos Trabalhadores (CUT). O que divide os analistas é se o conservadorismo do BC é um sinal positivo ou negativo. O economista-chefe do BNP Paribas no Brasil, Alexandre Lintz, elogiou a decisão. Foi um movimento perfeito, afirmou. Ele acha que a cautela de agora reforça as chances de uma queda maior nos próximos meses. E tem uma projeção ousada para a taxa Selic de dezembro: 18%. A projeção do BNP Paribas é baseada na taxa de juro futuro, hoje em 20,5% para um ano. Em março era 30%, então a queda foi bastante acentuada, disse Lintz. Compulsório O chefe de pesquisa para América Latina da consultoria Idea Global em Nova York, Ricardo Amorim, também acha que o corte de agora abre espaço para reduções progressivas nos próximos meses, mas ele é mais conservador na sua previsão para a Selic de dezembro, de 20% ao ano. O que decepcionou Amorim foi a manutenção do empréstimo compulsório, hoje em 86% dos depósitos à vista. Esperava que o Banco Central fosse aliviar o compulsório para reduzir o custo dos empréstimos, afirmou. Mas nem todos os analistas vêm os cortes de juros positivamente, como o início de quedas mais significativas nos próximos meses. O economista-chefe da LCA Consultores, Luiz Suzigan, acha que o BC foi mais cauteloso do que devia. A projeção da LCA era de uma redução de 3 pontos na taxa Selic entre maio e julho. Ele acha que o adiamento da redução da taxa pode ser perigoso, porque os reajustes de tarifas públicas e os aumentos de salários nos próximos meses devem elevar a inflação. O BC corre o risco de ver fechada essa janela de oportunidade que tinha agora, com os preços em deflação, afirmou. Apesar disso, a LCA mantém a estimativa de uma taxa Selic de 20% para dezembro, baseada na expectativa de inflação, que deve ser semelhante ao índice do primeiro semestre de 2002, antes da disparada do dólar e do choque de juros que se seguiu. Crescimento econômico A consultoria Global Invest também considerou o corte muito pequeno. Novamente se perde a oportunidade de uma queda mais significativa, diz a análise da empresa. Alexandre Lintz, do BNP Paribas, acredita que o BC vai manter a trajetória de reduções baseado na aproximação das expectativas de inflação do mercado hoje em 6,5% para 2004 com a meta de inflação do Banco Central, de 5,5%. À medida em que esses dois números forem se aproximando, o BC vai se sentir mais à vontade para reduzir os juros, disse. Apesar da aposta contínua na redução da taxa de juros, ninguém espera uma melhora no crescimento econômico este ano. As previsões mais otimistas falam em 1,6%. Lintz não acha que o BC deve olhar para nenhum outro indicador além da inflação. O BC está lá para controlar a inflação. Quem cuida de crescimento é o Ministério da Fazenda. Suzigan discorda. É verdade que o BC tem meta de inflação, mas é preciso dosar a política monetária para evitar a recessão, disse o economista. Ele acha que, de outra maneira, o país enfrenta o risco constante de viver uma recessão ou uma inflação descontrolada. Não é preciso, é possível conciliar os dois, afirmou. Fiesp O presidente da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), Horácio Lafer Piva, considerou a redução de apenas 1,5 ponto e manutenção do compulsório surpreendentes. Ele disse que a decisão fará com que a economia se desacelere por mais tempo. Piva também acha que a decisão mostra que o Banco Central está dando mais peso ao cumprimento da meta de inflação, mas alerta que ainda não vimos o fundo em relação ao enfraquecimento da economia. Já o presidente da CUT, Luiz Marinho, classificou a queda como conservadora mas disse que era preciso saudar a decisão do Copom, e que era uma indicação de quedas nos próximos meses. |
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