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Começa temporada de barganhas em Cancún
Neste sábado começa a verdadeira temporada de barganhas entre os 146 países que tentam negociar um documento-base que delimite o grau de alcance das atuais negociações de liberalização de comércio da Rodada de Doha do Desenvolvimento. Os coordenadores dos cinco grupos temáticos criados na Conferência Ministerial da OMC, em Cancún, no México, entregam pela manhã os rascunhos que, se a negociação tiver sucesso, poderão ser transformados na Declaração de Cancún. O mais aguardado é o que o ministro do Comércio de Cingapura, George Yeo Yong-Bon, coordenador do grupo de agricultura, entregará pela manhã ao presidente dos trabalhos da conferência, Luiz Ernesto Derbez, ministro mexicano do Comércio. O ministro Celso Amorim, das Relações Exteriores, chefe da delegação brasileira na conferência, se disse um pouco decepcionado, porque Yong-Bon não vai mostrar o documento preparado por ele às delegações, antes de passá-lo ao presidente da conferência. Cortês Descrito por um dos delegados que participam da reunião como cortês e gentil, o ministro cingapuriano foi a única unanimidade do grupo até agora. Não houve nenhuma resistência à sua indicação, já que Cingapura é um país totalmente irrelevante em termos agrícolas. Resta saber se o texto dele vai ser capaz de fazer a proeza de pelo menos iniciar a conciliação de interesses opostos e conflitantes que vêm sendo discutidos há dois anos sem qualquer progresso. "Ele ouviu todos os lados, mas deve estar sob intensa pressão", observa o delegado. Otimismo e farpas As avaliações oficiais das negociações entre grupos e bilaterais do dia (sexta-feira) foram positivas. O vice-representante de Comércio, Peter Allgeier, disse que o "teste para todos será a reação aos textos apresentados neste sábado" e se todos estão prontos para fazer as concessões necessárias para se chegar a um centro de gravidade. Os europeus consideraram que o dia de sexta-feira teve "uma atmosfera construtiva", segundo Arancha Gonzalez, porta-voz do Comissário de Comércio da União Européia, Pascal Lamy. E o ministro Amorim, coordenador tambem do G-21, que apresentou a proposta dos países em desenvolvimento, achou que houve "mais esforço em esclarecer pontos, em procurar soluções", do que no dia anterior. Pela manhã, houve novas trocas de acusações, com Allgeir afirmando que o G-21 "mostrou que pode ser unido em exigências". Ele também disse que um grupo de países maior do que o G-21, com quem ele esteve reunido na quinta, não se sentia representado pelo grupo de países em desenvolvimento que quer a eliminação gradual de subsídios agrícolas, maior acesso aos mercados desenvolvidos e redução dos subsídios internos concedidos a agricultores de países industrializados. Allgeier foi mais longe e disse que o porta-voz do G-21 não falava em nome dos países em desenvolvimento. A delegação brasileira chegou a divulgar uma nota, afirmando que "neste estágio é mais importante tentar negociar e não usar nossas energias para atacar países ou grupos de países". E o próprio Amorim respondeu dizendo que não era e nem tinha a intenção de ser o porta-voz do grupo dos 77, e nem o porta-voz do G-21, mas que tinha sido indicado como coordenador do grupo. Os europeus, no final da tarde, também passaram a ironizar o G-21, que, com os rumores de novas adesões, como a da Turquia, não confirmada, agora seria "G mais" ou "G qualquer coisa". |
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